Relatório da Lancet 2025 revela crise na saúde mental e bem-estar de adolescentes no Brasil e no mundo, com alerta para falta de investimentos públicos.
A saúde mental precária, o aumento das taxas de obesidade, a exposição à violência e as mudanças climáticas estão entre os principais desafios enfrentados pelos adolescentes atualmente, de acordo com um relatório global.
O relatório, elaborado por especialistas em saúde adolescente, incluindo membros do Murdoch Children’s Research Institute (MCRI), revelou como o apoio à saúde e ao bem-estar dos jovens pode melhorar a economia, a sociedade e a saúde pública por gerações futuras.
A Comissão Lancet de 2025 sobre Saúde e Bem-Estar de Adolescentes constatou que o investimento na saúde e no bem-estar dos adolescentes não corresponde à escala dos problemas enfrentados por eles. Reunindo 44 comissários e 10 comissários jovens, a Comissão afirmou que, embora os adolescentes representem 24% da população (cerca de dois bilhões de pessoas), eles recebem apenas 2,4% dos recursos globais de desenvolvimento e saúde.
Até 2030, mais da metade dos adolescentes viverá em países onde esse grupo demográfico enfrenta uma carga excessiva de doenças complexas.

Saúde mental afeta uma parcela grande da juventude e adolescência (Foto: Med-BR)
O relatório identificou os desafios contínuos enfrentados por essa faixa etária, incluindo:
Altos índices de problemas de saúde mental e serviços de apoio limitados
Taxas crescentes de obesidade devido a fatores ambientais e comerciais complexos
Falta de segurança digital e exposição ao cyberbullying e à desinformação
Vivência de violência em áreas afetadas por conflitos e dentro de casa
Consequências contínuas da pandemia de COVID-19 e medidas de saúde pública relacionadas
Aumento das lacunas nos direitos reprodutivos, especialmente para jovens mulheres
Desafios ambientais e impactos das mudanças climáticas
Publicado na revista The Lancet, o relatório previu que, até 2050, 70% dos adolescentes do mundo viverão em áreas urbanas. Embora isso possa trazer benefícios, a urbanização rápida e não planejada também pode acelerar a pobreza, o isolamento e a habitação precária.
O relatório afirmou que os espaços públicos urbanos devem ser mais acolhedores e adaptados aos jovens, como locais seguros e envolventes para se reunir, o que teria um efeito poderoso nos resultados de saúde.
Também foi constatada a necessidade urgente de ações para proteger melhor os jovens da violência e garantir acesso equitativo à educação e aos direitos reprodutivos.
Quase metade dos adolescentes já experimentou violência, impactando profundamente seu desenvolvimento social, emocional e bem-estar.
Embora os esforços globais tenham, em grande parte, fechado a lacuna de gênero na educação secundária, até 2030, quase um terço das jovens mulheres não estará em educação pós-secundária, emprego ou treinamento.

Obesidade é outro grande problema (Foto: Agência Brasil)
Fonte Extra com inf. ecodebate.com.br







