Por André Becker*
Antes de qualquer reflexão, é importante registrar nossa solidariedade à senhora de 72 anos que sofreu o acidente relatado pelo jornal, em Cascavel, assim como a todas as pessoas que, de forma inesperada, acabam vítimas no trânsito – seja com lesões leves, graves ou mesmo fatais. Cada vida impactada é um alerta para a sociedade.
Nos últimos anos, nossas cidades vêm recebendo novas alternativas de mobilidade, como bicicletas compartilhadas, bicicletas elétricas, skates, e patinetes elétricos, entre outros. Sem dúvida, esse avanço representa um grande benefício: economia de combustíveis fósseis, redução da poluição e maior praticidade no deslocamento urbano. Contudo, junto a essa inovação surgem preocupações sérias relacionadas à segurança.
As vias, a sinalização e, principalmente, a educação para o trânsito ainda não estão preparadas para a integração desses novos meios de transporte. Crianças, jovens, adultos e até idosos utilizam-se destes meios, não raro, sem equipamentos de proteção individual, como capacetes, joelheiras e cotoveleiras, e sem consciência do risco de trafegar em alta velocidade em locais compartilhados com pedestres e veículos. Motoristas, por sua vez, também são surpreendidos com travessias repentinas, gerando situações de perigo iminente.
O grande desafio que se coloca é: o que estamos fazendo, de fato, para adaptar o trânsito a essa nova realidade? O poder público precisa investir em ciclovias, em sinalização adequada e em campanhas de conscientização. Vemos pessoas circularem ao lado da ciclovia, na pista principal e não fazer uso da mesma, preferindo se expor ao perigo no meio da via pública, ou então utilizando-se do passeio. As empresas que oferecem esses serviços também têm responsabilidade em educar e orientar seus usuários. E a sociedade, como um todo, precisa refletir sobre o uso responsável dessas opções, lembrando que mobilidade urbana não é apenas deslocamento, mas também convivência segura.
O progresso no transporte deve caminhar junto com a preservação da vida. A inovação é bem-vinda, mas a segurança precisa ser prioridade.
A ciclovia é para o ciclista, avenida para o veículo e a vida para todos.

* Formado em magistério, bacharel em administração de empresas pela Unioeste e pós-graduado em gestão pública. Servidor público aposentado, foi dirigente sindical e líder comunitário atuando em pastorais. Atualmente atua como prestador de serviço na área da construção civil, como sócio- proprietário da Tecnobrocas.
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