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Moraes cobra explicações de Cláudio Castro sobre operação com mais de 119 mortos no Rio de Janeiro

Foto: Tomaz Silva /Agência Brasil.

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou nesta quarta-feira (29) que o governo do Rio de Janeiro preste informações sobre a megaoperação que deixou mais de 100 mortos e marcou uma audiência com o governador Cláudio Castro (PL).

Na decisão, Moraes manda o governador explicar se foram cumpridas as determinações judiciais nas operações nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio.

Entre as explicações, Castro deverá dar uma justificativa para a realização da operação, o número de agentes envolvidos, número oficial de mortos e feridos, adoção de medidas para garantir a responsabilidade em casos de abusos pela autoridade, providências de assistências às vítimas, comunicação ao Ministério Público, além do uso de câmeras e outras.

Moraes quer saber todos os detalhes acerca da mais letal operação da polícia no RJ (foto: imprensa STF)

Polícia vai investigar se moradores tiraram roupas camufladas antes de expor mortos

A Polícia Civil do Rio de Janeiro vai investigar alegados moradores do Complexo da Penha, na zona norte da capital fluminense, por suspeita de terem retirado roupas camufladas e possivelmente forjados ferimentos falsos a faca em cadáveres de criminosos que morreram em confronto com a polícia em uma megaoperação na terça-feira (28). O objetivo seria dar a impressão de que a polícia teria cometido abusos contra moradores, quando na verdade os corpos em questão eram de criminosos que atacaram as forças de segurança com fuzis e granadas.

A maior parte dos confrontos entre policiais e criminosos ocorreu em uma área de mata no alto das favelas conhecida como Vacaria. Desde o início da madrugada, pessoas ainda não identificadas – não se sabe se moradores ou membros do Comando Vermelho – começaram a retirar cadáveres do matagal e enfileirá-los para exposição pública na Praça São Lucas, no Complexo da Penha. O motivo alegado era que familiares poderiam reconhecer os corpos, embora o procedimento padrão fosse aguardar a retirada dos mortos por agentes de segurança ou do Instituto Médico Legal. O reconhecimento oficial ocorre no necrotério do órgão.

Andrei Rodrigues, diretor da PF, desmente o governo, afirma que foi avisado e acabou sendo cortado ao vivo pelo ministro Lewandowski. (Foto: reprodução / Arte: Portal Charles Costa)

Governo é desmentido pelo governo

A entrevista coletiva do diretor-geral Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e do ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, nesta quarta-feira (29), foi marcada por uma contradição nas declarações sobre a megaoperação realizada no Rio de Janeiro e por um momento de desconforto.

Segundo Andrei, houve um contato prévio da inteligência da Polícia Militar do Rio de Janeiro com a unidade local da PF para avaliar uma possível participação na operação. “Após análise do planejamento operacional, a equipe da PF concluiu que a ação não se adequava ao modo de atuação da instituição”, afirmou aos jornalistas.

Durante a transmissão, chegou a dizer: “Houve um contato anterior do pessoal da inteligência da Polícia Militar com a nossa unidade do Rio de Janeiro para ver se haveria alguma possibilidade de atuarmos em algum ponto nesse contexto. A partir da análise do planejamento operacional, a nossa equipe entendeu que não era uma operação razoável para que a gente participasse…” — em seguida, foi interrompido pelo ministro ao vivo.



Fonte Extra com CNN e Gazeta do Povo

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