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Quando o discurso destrói valores: A tragédia que revela o colapso moral do Brasil

Ex-deputado Paulo Frateschi (PT) e filho Crédito: Reprodução/Redes sociais

Por André Becker*

A morte do ex-presidente estadual do PT em São Paulo, assassinado pelo próprio filho, é um espelho cruel de uma sociedade que perdeu seus fundamentos — e de uma política que, há anos, semeia a relativização da violência.

A trágica morte do ex-dirigente petista ultrapassa os limites de uma tragédia familiar. Antes de tudo, é um episódio profundamente lamentável, que merece solidariedade e respeito aos familiares e amigos que hoje enfrentam uma dor incalculável. Nenhuma divergência política, por mais intensa que seja, pode sobrepor-se à compaixão humana diante de uma perda tão brutal.

Entretanto, o caso não pode ser analisado de forma isolada. Ele reflete o esgotamento moral e social de um modelo de pensamento que há décadas contamina o país — um modelo que relativiza o crime, inverte valores e despreza a autoridade. Quando o ato criminoso deixa de ser tratado como um desvio moral e passa a ser explicado como “reação social”, o resultado é o caos que hoje presenciamos em todos os níveis: dentro dos lares, nas ruas e nas instituições.

Recentemente, o Rio de Janeiro voltou a viver cenas de guerra. Traficantes fortemente armados, com poder de fogo comparável ao da polícia, transformaram comunidades em campos de batalha. A naturalidade com que a sociedade assiste a essas imagens, muitas vezes sem indignação, revela o grau de anestesia moral em que o país mergulhou.

Paralelamente, as redes sociais são inundadas por vídeos estarrecedores em que adolescentes e jovens, imitando o poder paralelo do tráfico, impõem pela violência suas próprias “leis”, torturando e castigando quem, segundo o seu entendimento, não obedece às suas regras.

Ontem mesmo, o noticiário mostrou uma cidade do Norte do Brasil totalmente evacuada sob ordens do crime organizado: quem permanecesse, morreria. É o retrato do avanço da barbárie e da ausência completa do Estado.

Em meio a esse cenário, o que mais causa perplexidade é a postura de parte da classe política. Recentemente, a coordenadora política do PT se manifestou contra a proposta de classificar organizações criminosas, como o Comando Vermelho e o PCC, como grupos terroristas — uma decisão que desafia a lógica e ignora o sofrimento de milhares de famílias reféns da violência.

Enquanto isso, o próprio Presidente da República, em uma das declarações mais infelizes de seu mandato, afirmou que o traficante seria “vítima do usuário”. Essa tentativa de inverter responsabilidades, tratando o criminoso como produto das circunstâncias, fragiliza a autoridade do Estado e desmoraliza quem arrisca a vida diariamente para defender a população.

A esse quadro se soma o comportamento preocupante do Poder Judiciário, que deveria ser o guardião da Constituição e o último amparo do cidadão. Em vez disso, tem se mostrado omisso em muitos casos e, em outros, agido de forma equivocada — transmitindo à sociedade a sensação de que a justiça é seletiva e de que o cidadão comum está desamparado. Quando o próprio sistema jurídico passa a banalizar a Constituição ou a reinterpretá-la conforme conveniências políticas, o Estado de Direito se fragiliza e a confiança nas instituições desaba.

Não é possível construir um país seguro enquanto o discurso oficial insiste em proteger o transgressor e silenciar sobre as vítimas. Ao tentar “humanizar” o criminoso, o governo acaba desumanizando a sociedade, ao normalizar o que deveria ser intolerável.

Mais grave ainda é o caminho internacional que o Brasil parece seguir. Em vez de fortalecer laços com nações que prezam pela liberdade e pela ordem, o Presidente busca aproximação com regimes autoritários da América Latina, apoiadores declarados de movimentos de guerrilha. São gestos que, embora simbólicos, revelam o desalinhamento moral e político de um governo que se distancia da realidade vivida pelo seu próprio povo.

Um filho matar o pai jamais será algo “normal”. É o limite da degradação moral, o sinal mais claro de uma sociedade que perdeu a noção de certo e errado. Seja por drogas, por conflitos familiares ou pela ausência de princípios, o fato é que o Brasil precisa reencontrar o caminho da ordem, da responsabilidade e da autoridade moral.

Não se combate o crime com discursos ideológicos, nem se constrói segurança pública com relativismos. É preciso resgatar a lei, o respeito e o valor da família — pilares que sustentam qualquer sociedade saudável e civilizada.

A tragédia que abalou o PT é mais do que um episódio isolado. É um alerta. Um retrato doloroso de um país que precisa decidir, urgentemente, se continuará justificando o erro ou se, enfim, começará a corrigi-lo.


* Professor, bacharel em administração de empresas pela Unioeste e pós-graduado em gestão pública. Servidor público aposentado, foi dirigente sindical e líder comunitário atuando em pastorais. Atualmente é prestador de serviços na área da construção civil, como sócio-proprietário da Tecnobrocas.




Fonte Extra

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