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COP30: Quando cinco bilhões viraram fumaça


Por Caio Gottlieb*

Há fracassos que são baratos. Este não foi o caso.


Belém transformou-se no palco de uma comédia de erros orçada em impressionantes R$ 5 bilhões — dinheiro público evaporado numa tentativa desesperada do governo petista de comprar protagonismo internacional e transformar Lula no grande messias ambiental.

O resultado? Uma sequência constrangedora de fiascos que expôs ao mundo não a o liderança brasileira, mas a incompetência crônica de quem administra o país.

A COP30 deveria ser a vitrine verde do Brasil. Tornou-se, em vez disso, um mostruário de tudo que há de mais grotesco na gestão pública brasileira: esgoto a céu aberto a metros da Blue Zone, estruturas precárias pegando fogo, água vendida a R$ 25, coxinha a R$ 40, e uma infraestrutura improvisada que desabou — literal e figurativamente — diante dos olhos da imprensa internacional.

O The New York Times, a BBC, a Reuters e o The Guardian não pouparam críticas. Delegações correram em pânico quando um incêndio consumiu pavilhões da conferência, resultado provável de um curto-circuito numa rede elétrica sobrecarregada. A ONU já havia alertado sobre as condições deplorantes dias antes, mas quem se importa com avisos quando há tanto dinheiro para gastar em aparências?

Os bilhões despejados na maquiagem de Belém renderão, sem dúvida, muito material para futuras CPIs. Contratos milionários sem licitação, superfaturamento escancarado, obras inacabadas — o roteiro de sempre.

Enquanto o governo vendia o discurso da sustentabilidade e da responsabilidade climática, a realidade mostrava esgoto correndo a céu aberto, lixo acumulado nas ruas, favelas invisíveis aos olhos das câmeras oficiais. A primeira-dama Janja, em seu habitual tom provocativo, ironizou jornalistas com a pergunta “já compraram coxinha?”, enquanto os preços abusivos geravam indignação generalizada. É o cinismo em estado puro.

Mas o verdadeiro fracasso da COP30 não foi operacional. Foi conceitual. A tentativa de estabelecer um “mapa do caminho” para o fim dos combustíveis fósseis naufragou diante da realidade geopolítica.

Países do Oriente Médio, cuja economia depende do petróleo, simplesmente disseram não. E o Brasil? Ah, o Brasil… aquele que tanto defende a transição energética, acelera simultaneamente a exploração de petróleo na Foz do Amazonas e comemora descobertas de novos campos no Rio de Janeiro. A contradição não poderia ser mais evidente.

O fato inconveniente é que o petróleo continua imprescindível. Nenhum país pode se dar ao luxo de abandoná-lo enquanto o resto do mundo segue dependendo dessa fonte energética.

As nações desenvolvidas, aliás, sabem disso muito bem — e por isso recuam quando o discurso utópico encontra a conta bancária.

O Brasil tentou liderar uma agenda que o próprio mundo rejeita. Resultado: um documento final sem qualquer menção aos combustíveis fósseis, esvaziado de ambição, um papel que só serve para esquentar a lareira.

Há quem insista na narrativa apocalíptica das mudanças climáticas radicais. Esquecem que parte significativa da comunidade científica prefere falar em “variações climáticas” — fenômenos naturais que sempre existiram e continuarão existindo, independentemente de quantas COPs realizarmos.

O catastrofismo ambiental tornou-se um negócio lucrativo para ONGs, burocratas internacionais e governos ávidos por verbas. Belém provou que essa indústria do medo já não convence como antes.

E aqui reside a maior das ironias, aquela que faz este episódio brilhar de maneira particular: em meio ao caos generalizado, quem salvou a lavoura — literalmente — foi o agronegócio.

Sim, justamente o setor que o governo petista passa o tempo atacando, regulando, tentando sufocar com legislações impossíveis e discursos moralistas. A AgriZone, espaço dedicado ao agro brasileiro criado pela Embrapa, foi o único sucesso incontestável da conferência.

Enquanto pavilhões oficiais pegavam fogo e delegações reclamavam da desorganização, o agronegócio mostrava ao mundo o que realmente significa sustentabilidade: agricultura regenerativa, integração lavoura-pecuária-floresta, tecnologia tropical de ponta, produtividade aliada à preservação.

Mais de 40 delegações internacionais visitaram a AgriZone. Cientistas, negociadores e autoridades de dezenas de países saíram impressionados com a capacidade do produtor brasileiro de aumentar a produção sem expandir áreas, de recuperar pastagens degradadas, de conciliar desenvolvimento econômico e responsabilidade ambiental.

O agro brasileiro — aquele que sustenta o superávit da balança comercial, que alimenta o mundo, que representa o que há de mais competitivo e inovador no país — foi aplaudido de pé. Não porque faz discursos bonitos, mas porque entrega resultados. Enquanto o governo gastava bilhões numa conferência que naufragou, o setor privado, com ciência e tecnologia, demonstrava na prática o que é ser solução.

É a ironia mais contundente deste circo bilionário: o governo federal investiu uma fortuna para promover uma agenda climática utópica e fracassou fragorosamente. Quem brilhou foi justamente o setor que Lula e seus aliados insistem em tratar como vilão.

O agronegócio não pediu licença. Simplesmente mostrou que, quando se trata de resultados reais, a ideologia perde sempre para a competência.

A COP30 terminou como começou: cheia de promessas vazias e contas pesadas. O Brasil queria liderar a agenda ambiental global. Conseguiu, isso sim, protagonizar um dos maiores vexames internacionais recentes.

Cinco bilhões de reais jogados numa conferência que não produziu acordos significativos, que expôs a precariedade da gestão pública brasileira e que serviu, no máximo, como palanque eleitoral para um governo em queda livre nas pesquisas.

Ficam as lições.

A primeira: discursos grandiosos não substituem planejamento e eficiência.

A segunda: o mundo não aceita mais ser empurrado para metas irrealistas que ignoram a realidade econômica.

A terceira, e talvez a mais importante: quando o governo falha, quem sustenta o país é o setor produtivo — aquele que, apesar de todos os ataques e sabotagens, continua trabalhando, produzindo, exportando e mostrando ao mundo que o Brasil pode, sim, dar certo.

Só não com este governo.




*Jornalista, publicitário, fundador e sócio-proprietário da Caio Publicidade, atua na TV Tarobá desde a sua fundação em 1979, conduzindo o programa de entrevistas Jogo Aberto.






Fonte Extra

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