Por André Becker*
A prisão de Nicolás Maduro simboliza a derrocada de um regime construído sob fraude eleitoral, repressão brutal e corrupção institucionalizada. As eleições mais recentes na Venezuela nunca tiveram legitimidade interna nem reconhecimento internacional. Não foram processos democráticos, mas encenações autoritárias para perpetuar um projeto de poder sustentado pelo medo.
O povo venezuelano, ao contrário do que tentam sugerir seus defensores ideológicos, não lamenta. Comemora. Comemora o possível fim das torturas, dos assassinatos políticos, das prisões arbitrárias e do esmagamento sistemático dos direitos civis e humanitários. Ditaduras não caem por acaso — caem quando já não conseguem esconder seus crimes.
O marco inicial das mudanças em curso na América foi claro: a eleição nos Estados Unidos. A partir dela, rompeu-se a complacência internacional com regimes autoritários disfarçados de governos populares. Quando instituições são cooptadas, o voto é fraudado e a oposição é perseguida, a restauração da democracia deixa de ser opção diplomática e passa a ser obrigação moral. A intervenção americana na Venezuela nasce desse vácuo institucional absoluto.
As revelações recentes apenas confirmam o que muitos denunciavam há anos. O ex-chefe do serviço secreto venezuelano, em delação premiada nos Estados Unidos, vem expondo fraudes eleitorais e um esquema internacional de financiamento político. Segundo seus depoimentos, partidos e movimentos de esquerda na Europa e na América do Sul teriam recebido valores milionários diretamente do regime de Maduro para comprar apoio, silêncio e legitimação externa. Trata-se, “se comprovado,” de uma engrenagem continental de sustentação do autoritarismo.
No Brasil, o quadro é constrangedor e alarmante. Enquanto uma ditadura ruía, o Presidente da República manteve apoio explícito ao regime venezuelano, inclusive por meio de seu embaixador. Defender quem se recusou a reconhecer derrotas eleitorais não é neutralidade diplomática — é cumplicidade política.
Não existe ditadura aceitável. Não existe fraude justificável. A Venezuela pode estar virando uma página decisiva de sua história. A América já sente os ventos da mudança. O povo brasileiro, atento, aguarda o dia em que também poderá festejar a ruptura com narrativas autoritárias e a reafirmação plena da democracia, da verdade e da soberania popular.

* Professor, bacharel em administração de empresas pela Unioeste e pós-graduado em gestão pública. Servidor público aposentado, foi dirigente sindical e líder comunitário atuando em pastorais. Atualmente é prestador de serviços na área da construção civil, como sócio-proprietário da Tecnobrocas.







