Por André Becker*
Ao afirmar que o Brasil levou “420 anos para criar sua primeira universidade”, o presidente da República lança mão de uma frase de efeito. A conta é conhecida: de 1500 a 1920. O problema não está na matemática, mas no *uso político do passado para escapar do presente*.
Os fatos históricos são claros. O ensino superior brasileiro começa apenas em 1808, com as Escolas Médico-Cirúrgicas da Bahia e do Rio de Janeiro, fruto da vinda da corte portuguesa. A primeira universidade integrada surge só em 1920. O atraso existiu — e foi consequência direta de decisões políticas coloniais. Isso não está em debate.
O que precisa ser dito é o seguinte: esse atraso não pode mais servir de álibi.
O partido do atual presidente governa o Brasil há quase duas décadas— de 2003 a 2016 e novamente desde 2023. Tempo mais do que suficiente para mudar rumos, reformar estruturas e entregar resultados. Se o sistema de ensino superior público hoje está em crise, isso também é responsabilidade direta dessa gestão prolongada e inócua.
A realidade é dura: universidades sucateadas, evasão elevada, cursos desconectados do mercado, baixa produção tecnológica e uma crescente substituição da formação técnica por militância ideológica. Soma-se a isso um problema grave e frequentemente varrido para debaixo do tapete: o aumento do consumo de drogas e da dependência química no ambiente universitário, com impactos diretos no desempenho acadêmico, na saúde mental e no futuro profissional dos estudantes. Levantamentos nacionais indicam que o uso de álcool e outras drogas entre universitários é significativamente superior ao da população geral, sem que haja resposta institucional firme e eficaz.
Tudo isso ocorre no pior momento possível, pois a inteligência artificial avança de forma exponencial, eliminando funções básicas e exigindo formação técnica sólida em ciência, engenharia, tecnologia, dados e lógica. Países que não formarem profissionais altamente qualificados ficarão para trás. O Brasil, porém, insiste em formar discursos em vez de competências.
A pergunta é inevitável: depois de quase 20 anos no poder, por que o problema persiste — e se aprofunda?
O atraso histórico explica o ponto de partida, não o fracasso atual. O caos do ensino superior público já não é herança colonial: é resultado de escolhas políticas recentes.
O país precisa decidir, com urgência, se continuará formando militantes ideológicos ou profissionais preparados para o mundo real.
A revolução da inteligência artificial não esperará o Brasil se organizar.
A verdadeira transformação educacional não virá de slogans, nem de contas simbólicas. Virá quando o ensino superior voltar a formar, quem sabe fazer, pensar e construir — antes que o futuro chegue e nos encontre despreparados.
Outro detalhe que intriga é que o “melhor” nome do PT em caso de Lula por qualquer razão não possa disputar a reeleição, é o ministro da Educação, Camilo Santana… Se o melhorzinho está assim, imagina os outros…

* André Becker atuou como professor, bacharel em administração de empresas pela Unioeste e pós-graduado em gestão pública. Servidor público aposentado, foi dirigente sindical e líder comunitário atuando em pastorais. Atualmente é prestador de serviços na área da construção civil, como sócio-proprietário da Tecnobrocas.







