O avanço da violência contra a mulher no Paraná tem mobilizado as forças de segurança pública e acendido um alerta vermelho neste ano de 2026, especialmente nas regiões Oeste e Noroeste do estado.
Casos recentes de feminicídios consumados e tentativas de assassinatos — muitas vezes dissimuladas sob o pretexto de “acidentes” ou episódios de fúria isolados — revelam um padrão cruel: a recusa dos agressores em aceitar o fim dos relacionamentos e o uso de violência extrema contra parceiras e ex-companheiras.
Tragédia no Oeste: CAC mata mulher em Cascavel após briga por término
Em Cascavel, no Oeste do estado, a recusa em aceitar o fim de um relacionamento de cinco anos culminou em um crime brutal no dia 3 de fevereiro. Durante uma discussão dentro de uma caminhonete, um homem de 48 anos atirou cinco vezes contra a companheira. Após os disparos, o agressor jogou o corpo da vítima na rua e fugiu.
O suspeito, localizado horas depois escondido em um motel na região, possui registro de Caçador, Atirador e Colecionador (CAC). Na residência dele, a Polícia Civil apreendeu um verdadeiro arsenal, incluindo uma pistola 9 mm, carabina, espingardas e centenas de munições.
Ao ser interrogado, o homem confessou o crime e admitiu que sua esposa anterior também havia morrido no passado. Na ocasião, ele alegou que a morte fora “um acidente”, tática de dissimulação comum em históricos de violência doméstica camuflada.
Tentativas violentas e ataques dissimulados
A região Noroeste tem registrado episódios de extrema gravidade em que as vítimas conseguiram sobreviver por milagre, expondo a urgência de medidas protetivas eficazes e a escalada da agressividade dos criminosos em 2026.
Na área rural do município de São Manoel, no dia 15 de fevereiro, um homem de 25 anos esfaqueou a ex-companheira, que estava grávida de 39 semanas, atingindo-a no abdômen.
O agressor fugiu do local levando uma criança de 8 anos que estava sob seus cuidados provisórios. Após dias de buscas intensas pela PM, o homem entrou em confronto armado com os policiais usando uma faca e acabou morto. A mulher e o bebê passaram por cirurgias de emergência e sobreviveram.
Em Santa Mônica, já no dia 19 de março, um homem de 31 anos foi preso em flagrante pela Polícia Militar nas proximidades de um hospital em Loanda. Ele havia acabado de atirar contra a própria companheira, de 44 anos, que foi internada em estado grave.
Em Campo Mourão e Diamante do Norte, também em março, foram registradas prisões operadas pela Polícia Civil (PCPR) contra homens acusados de tentativas de feminicídio com uso de armas brancas e agressões físicas severas em contextos de crises de ciúmes e sentimento de posse.

A vida roubada das sobreviventes
As tentativas de feminicídio deixam sequelas que vão muito além das cicatrizes físicas, forçando mulheres a viverem na clandestinidade para salvar as próprias vidas. Um caso emblemático que chocou o Norte e Noroeste do estado, no mesmo mês, foi o de Sayonara Doraci da Silva, moradora de Apucarana.
Seu ex-companheiro jogou uma caminhonete contra o veículo em que ela estava com o filho, derrubando um poste de concreto sobre o automóvel em uma clara tentativa de simular um acidente de trânsito fatal. O homem fugiu e permanece foragido da Justiça.
Por estar escondida em um local seguro sob proteção policial, Sayonara não pôde comparecer à sua própria cerimônia de formatura do curso de Administração na Unespar. Ela enviou uma carta emocionante que foi lida durante a solenidade:
“Gostaria muito que estas palavras fossem ditas por mim, olhando nos olhos de cada colega… Mas hoje, minha voz chega até vocês através deste papel, porque a minha presença física me foi roubada. Persisti quando o mundo me dizia que bastava apenas sobreviver. Ele não venceu.”

Casos recentes. Em Terra Roxa e Porto Rico, crimes chocantes
No dia 2 de maio de 2026, em Porto Rico (noroeste do Paraná), forças de segurança foram mobilizadas quando um veículo caiu nas águas do Rio Paraná.
A servidora pública Iria Djanira Ramon Costa Talaska (36 anos) e sua filha, Maria Laura Ramon Talaska (3 anos), foram encontradas mortas dentro do carro submerso. O marido e pai, de 38 anos, sobreviveu.
De acordo com investigações da polícia, ele teria jogado de propósito o carro dentro do rio para cometer não só feminicídio, mas também vicaricídio, quando se mata uma descendente para causar dor em numa pessoa. Neste caso específico, a filhinha, de apenas 3 anos de idade.
Já em Terra Roxa, um crime brutal que chocou a cidade, a região, o Paraná e o Brasil também. A Polícia Civil continua investigando o feminicídio de Thainara Cavalcante, de 28 anos, ocorrido em Terra Roxa, no oeste do estado na madrugada da quinta-feira (14).
A jovem foi morta a facadas dentro da própria casa pelo ex-companheiro, que teria viajado quase 2 mil quilômetros da Bahia até o Paraná para cometer o crime.
De acordo com as informações da investigação, o suspeito, identificado como Natan de Souza Brito, também de 28 anos, saiu da cidade de Luís Eduardo Magalhães, na Bahia, após descobrir que a vítima estava em um novo relacionamento. Segundo a polícia, ele confessou o crime após ser preso em flagrante na madrugada de quinta-feira (14).
Ainda em Palotina, um homem foi preso nesta sexta-feira (15) após incendiar o veículo da ex-companheira durante uma discussão motivada por ciúmes. O caso aconteceu em frente a uma empresa e mobilizou equipes de emergência na cidade.

Porto Rico (Redes sociais)
Canais de Denúncia e Rede de Apoio
A Polícia Civil do Paraná reforça que o monitoramento e a denúncia precoce de comportamentos abusivos e ameaças são as principais ferramentas para barrar o ciclo da violência antes que ele se torne letal.
Se você ou alguém que você conhece está passando por uma situação de violência doméstica, denuncie:
- Disque 180: Central de Atendimento à Mulher (Nacional, gratuito e anônimo).
- Disque 190: Polícia Militar (Para situações de emergência e flagrantes).
- Disque 197 / 181: Polícia Civil e Disque-Denúncia do Paraná para investigações em andamento.
Elder Boff/Fonte Extra com Gemini







