Na madrugada de hoje, 16 de junho de 2026, a cidade de Santa Rita, no Paraguai, foi palco de um mega-assalto coordenado no estilo novo cangaço ou assalto comando. Mais de 20 criminosos fortemente armados invadiram o município e atacaram simultaneamente pelo menos três agências bancárias, incluindo o Banco Familiar, além de uma casa de câmbio.
Durante a ação, os criminosos utilizaram explosivos para tentar acessar cofres e caixas eletrônicos, destruindo as estruturas dos prédios. Para atrasar a resposta das autoridades, a quadrilha espalhou pregos retorcidos nas vias, incendiou veículos para bloquear rotas de fuga e chegou a fazer um policial de refém, que foi liberado posteriormente. Embora os danos materiais tenham sido imensos, os bancos confirmaram que nenhuma pessoa ficou ferida. A polícia e o Ministério Público paraguaio seguem investigando o paradeiro do grupo e fazendo o levantamento do valor exato levado.
As investigações apontam para uma rede criminosa complexa na região da fronteira, que frequentemente envolve o recrutamento ou a conivência de membros e ex-membros das forças de segurança.


Nestor Ivan Ramirez Marín, de 29 anos e o ex-policial Homer José Cibils Ramirez. (Foto: Polícia Nacional/San Alberto News)
Os suspeitos e o histórico de crimes na região
As investigações sobre grandes assaltos no Paraguai frequentemente convergem para nomes conhecidos no submundo do crime organizado, incluindo agentes ativos e expulsos da corporação policial. Entre os principais suspeitos de integrar esse tipo de estrutura criminosa de alta complexidade destacam-se:
Nestor Ivan Ramirez Marín: Com 29 anos, o primeiro-suboficial da Polícia Nacional é apontado pelas investigações como um elemento da ativa infiltrado no crime organizado. Ele é acusado de ter liderado um assalto comando em 26 de maio contra a mineradora Master Gold SA em Paso Yobai, no departamento de Guairá. Na ocasião, o grupo utilizou um furgão roubado justamente na área de jurisdição da delegacia onde ele deveria estar de plantão.
Homer José Cibils Ramirez: Ex-policial com um extenso histórico de crimes violentos. Ele está diretamente vinculado ao assalto contra a filial do Bancop em Naranjal, ocorrido em novembro de 2024, onde foram roubados cerca de 2.830 milhões de guaranis. Ele também é suspeito de planejar o ataque à filial do banco Sudameris em Laranjal, em fevereiro de 2026, onde os criminosos levaram 1,5 bilhão de guaranis em notas que acabaram sendo inteiramente manchadas pela tinta de segurança antiroubo.
Além dos crimes financeiros, o histórico de Cibils Ramirez revela a periculosidade da organização. Em 2017, no departamento de Caazapá, ele e outro policial chamado Edgar Brítez executaram o candidato a intendente Esteban Báez Vera em um crime de pistolagem (sicariato). Embora tenha sido preso na época, ele acabou ganhando liberdade sob medidas alternativas. Em 2024, acumulou passagens por roubo agravado e associação criminosa em Iruña e ordens de captura emitidas pelo Tribunal Penal da Adolescência de Laranjal. De forma surpreendente para os investigadores, após se apresentar voluntariamente em uma delegacia de Caazapá em abril de 2026, ele continuava em liberdade ou circulando nos bastidores de grandes quadrilhas da região.









(Fotos: Ñanduti e midias sociais)
Elder Boff/Fonte Extra com inf. Ministério Público e Polícia Nacional, Ministério do Interior, ABC Color, La Nación del Paraguay, La Tribuna e portais de análise como o La Política Online (LPO) e San Alberto News.
Obs. O caso do suboficial Néstor Iván Ramírez Marín foi amplamente coberto em maio de 2026 pela imprensa local, após ele ter sido reconhecido por um colega de farda ao fugir de um assalto frustrado contra a mineradora Master Gold SA, em Paso Yobái. O histórico do ex-policial Homero José Cibils Ramírez foi resgatado a partir de registros policiais de Caazapá e Alto Paraná, incluindo o crime de sicariato de 2017 e a sua rendição voluntária às autoridades paraguaias ocorrida recentemente, em abril de 2026.








