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Justiça do Paraguai decreta prisão domiciliar de brasileiro por fraude em diplomas

O gaúcho Ismael Fenner, natural de Taquara (RS), teve prisão domiciliar decretada na última terça-feira (28) pela Justiça do Paraguai. Ele é investigado pelo Ministério Público paraguaio (MP-PY) por estelionato e produção de documentos não autênticos.

Fenner é responsável pela Faculdade Interamericana de Ciências Sociais (FICS) e reside há décadas em Assunção. No direito penal paraguaio, a falsificação de documentos reúne condutas que no Brasil normalmente são tratadas separadamente, entre falsificação pública, privada e uso de documento fraudulento.

O promotor Aldo Cantero já considerava Fenner foragido desde o dia 16 de julho. Naquela data, uma operação do MP-PY com a Polícia Nacional interrompeu um evento no Hotel Crowne Plaza Assunción, que reunia cerca de 100 estudantes brasileiros de diversas regiões do país.

Fenner se apresentou voluntariamente à Justiça para a audiência de custódia. O juiz Yoan Paul López acolheu as acusações do MP-PY, mas substituiu o pedido de prisão preventiva pela prisão domiciliar, considerando que o brasileiro tem endereço fixo, é casado, tem quatro filhos paraguaios e vive no país há cerca de 30 anos.

Pela decisão, Fenner deve permanecer em Villa Elisa, na região metropolitana de Assunção, sob fiscalização da Polícia Nacional. Ele está proibido de deixar o Paraguai ou mudar de residência sem autorização judicial, e tem prazo de 20 dias para apresentar uma garantia patrimonial de 1 bilhão de guaranis, cerca de R$ 845 mil na cotação atual.

Uma semana após a operação no Crowne Plaza, o MP-PY realizou nova ação contra organizações ligadas a Fenner, desta vez em um prédio que usava o nome do Instituto Superior Interamericano de Ciências Sociais (ISICS), na capital paraguaia. Chamou a atenção da promotora responsável o fato de o material didático apreendido estar todo em português, com estudantes majoritariamente brasileiros.

O caso já havia passado pela Justiça paranaense. Em 2025, Fenner assinou um Acordo de Não Persecução Penal com o Ministério Público do Paraná depois de confessar um esquema de diplomação falsa envolvendo documentos reconhecidos em cartório de Foz do Iguaçu, cidade da região onde a maioria dos estudantes lesados morava.

O jornal Extra Classe investiga o esquema desde agosto de 2025, na série Fábrica de Diplomas, que revelou a comercialização e o reconhecimento irregular de milhares de títulos de mestrado e doutorado por meio da plataforma Carolina Bori, do Ministério da Educação (MEC). As reportagens já provocaram providências do próprio MEC e agora também são alvo de investigação das autoridades paraguaias.

Lucas Oruam/FE com informações de Extra Classe e Portal da Cidade Foz.

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