Relator da CPMI do INSS Gaspar pediu a prisão do filho do presidente sob sérias acusações de corrupção
O Partido Liberal (PL) definiu nesta quarta-feira (5), Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República.
A escolha do deputado federal, relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigou as fraudes no INSS, encerra meses de negociações sobre a composição da chapa.
Nesse período, o partido buscou atrair nomes de outras legendas para ampliar a aliança eleitoral. Ao fim das tratativas, porém, o PL decidiu optar por um nome da própria sigla, formando uma chapa “puro-sangue”.
Ao anunciar Gaspar, Flávio destacou a trajetória do parlamentar e ex-promotor de Justiça, afirmando que sua escolha foi motivada pela “honestidade” e pela atuação na segurança pública e no combate à corrupção.

(Mael Vale)
“Pela honestidade, pela sua história à frente da segurança pública. Alguém que já foi promotor de Justiça, chefe do Ministério Público do seu estado. Alguém que enfrentou e defendeu os nossos aposentados na CPMI do INSS. Alguém que pediu a prisão do Lulinha porque tinha culpa no cartório. Alguém que representa o Nordeste de fato. Nós vamos levar prosperidade ao Nordeste, levar saúde, infraestrutura. Será o maior programa de dignidade que o Nordeste já viu”, afirmou durante a coletiva de imprensa de anúncio.
Flávio também disse que buscava um vice alinhado com seus princípios e fez uma crítica indireta a adversários políticos.
“É uma pessoa que vem para ser meu vice, aquele vice que não volta para a cena do crime e dá a mão para o vilão. Tenho muita honra de anunciar aqui Alfredo Gaspar”, concluiu.
Ao celebrar a escolha, Alfredo destacou:
“Eu sou o seu soldado. Alguém simples, mas que está pronto pra luta. Alguém que tem boa fé, que sabe o tamanho da responsabilidade. Terei lealdade e gratidão; terei a coragem de enfrentarmos juntos a corrupção, o crime organizado, e essa economia em frangalhos, culpa do que Lula e a equipe têm feito com o país. Vamos sair do discurso para enfrentar as mazelas da nação”.
O parlamentar ainda lamentou a ausência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar.
“Presidente Bolsonaro, o senhor reacendeu em todos nós o sentimento de honra e esperança”, completou.
Como foi a atuação de Alfredo Gaspar na CPMI do INSS
Como relator da CPMI do INSS, o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) adotou um comportamento combativo e focado no enquadramento criminal de fraudes contra aposentados, marcando sua passagem por embates intensos com a base governista, pedidos de indiciamento em massa e discussões acaloradas no plenário.
A atuação do relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar, foi marcada por um ritmo investigativo intenso sobre fraudes no crédito consignado e associações de fachada. O processo gerou ríspidos confrontos com a base governista no colegiado, além de duras cobranças a depoentes e representantes do sistema financeiro.
Ao concluir a etapa de apuração, o parlamentar apresentou um parecer final propondo o indiciamento de mais de 200 pessoas investigadas no esquema. Entre os nomes inclusos no relatório estava o de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente da República, devido a suspeitas de repasses.
Apesar das alegações contidas no parecer, a proposta elaborada pelo relator acabou sendo rejeitada no plenário da comissão pelo placar de 19 votos a 12. A derrota do texto foi consolidada após uma forte articulação promovida pela base aliada do governo para barrar as conclusões da CPMI.
Mesmo com a rejeição formal do documento na comissão, as provas reunidas durante as investigações não foram arquivadas pelo deputado. O relator encaminhou o acervo documental diretamente à Procuradoria-Geral da República para que os órgãos de fiscalização deem sequência às apurações cabíveis.

Alfredo Gaspar (Ag. Senado)
Elder Boff/Fonte Extra com inf. Mael Vale/Diário do Poder







