Muito se fala sobre o avanço militar americano ao redor da Tríplice Fronteira, como se fosse um prenúncio de invasão ou demonstração de força contra o Brasil. Mas os próprios acordos assinados por Paraguai e Argentina mostram outra coisa: são tratados de cooperação temporária, votados em Congresso, sem base fixa e sem território cedido.
No Paraguai, o Acordo sobre o Estatuto das Forças (SOFA) foi assinado entre Santiago Peña e Donald Trump em dezembro do ano passado e ratificado pela Câmara com 53 votos a 8. O próprio Senado paraguaio deixou registrado que o texto “não autoriza a instalação de bases militares permanentes no país nem prevê cessão de soberania territorial”.
Na prática, o que ele libera é a entrada temporária de militares americanos para treinamentos e ações humanitárias, sempre com autorização prévia paraguaia. Esse tipo de acordo, aliás, não é novidade: os EUA mantêm SOFAs parecidos com dezenas de países, como Japão e Coreia do Sul, sem que isso represente perda de soberania.
Na Argentina, a lógica é a mesma. Em abril, Javier Milei autorizou por decreto a passagem do porta-aviões USS Nimitz pela Zona Econômica Exclusiva argentina, dentro da operação Southern Seas 2026, com manobras de busca e salvamento e defesa aérea, sem deixar nenhuma estrutura fixa depois que os navios foram embora.
E o Brasil também reforçou sua presença na região por conta própria. Entre 10 e 21 de agosto, Foz do Iguaçu sediou o Exercício Felino 2026, reunindo cerca de 700 militares brasileiros e 38 estrangeiros de países da CPLP, simulando resposta a uma crise humanitária sob mandato da ONU. Segundo o Ministério da Defesa, o objetivo é aumentar a interoperabilidade e fortalecer laços diplomáticos, não preparar nenhum conflito real.
No fim, o que existe é um movimento de três países vizinhos ajustando suas próprias estratégias de segurança, dentro da própria soberania, com regras claras e nenhuma estrutura militar estrangeira fixada em território alheio. Não há tropa avançando, não há território sendo tomado, e não há motivo real para tratar isso como ameaça de invasão.
Lucas Oruam/FE com informações de Gazeta do Povo e Ministério da Defesa.






