Autoridades paraguaias interceptaram, no km 7,5 da Rodovia PY02, em Ciudad del Este, um caminhão de grande porte transportando cerca de 187 suínos vivos — equivalente a aproximadamente 16 mil quilos de carga — sem a documentação sanitária e Guias de Traslado exigidas.
A informação foi divulgada por meios de comunicação do Paraguai, principalmente pela Rádio Concierto, 89.1 e revela que as investigações preliminares apontam que a carga ingressou ilegalmente a partir do Brasil, cruzando a fronteira seca pela região de Salto del Guairá (fronteira com o Mato Grosso do Sul e oeste do Paraná) antes de seguir pela rodovia PY07 rumo a Ciudad del Este.
A apreensão foi realizada após denúncias formais apresentadas pela Associação Paraguai de Criadores de Porcos (Cerdos) (APPC) perante a Direção Nacional de Receitas Tributárias (DNIT), o Ministério Público e o serviço sanitário do Paraguai (Senacsa).
A enxurrada de animais e carne suína contrabandeada do Brasil tem pressionado drasticamente os preços locais. Atualmente, o quilo do porco vivo no Paraguai despencou para Gs. 8.750 (cerca de R$ 6,30 a R$ 6,50), valor que não cobre os custos de produção paraguaios. O setor produtivo do país vizinho alerta que pequenas e médias granjas correm o risco iminente de falência devido à concorrência desleal.
A grande maioria das apreensões de porcos vivos e cortes de carne suína contrabandeados que entram no Paraguai tem origem no Brasil. As rotas mais comuns cruzam a fronteira seca entre o Mato Grosso do Sul / Paraná e os departamentos paraguaios de Canindeyú (Salto del Guairá) e Alto Paraná.
Contrabando de cargas vivas aumenta
O contrabando na região da Tríplice Fronteira e na fronteira seca é histórico, mas o envio de animais vivos de grande porte (carga viva) aumentou consideravelmente nos últimos anos. Produtores paraguaios apontam que a entrada ilegal de suínos brasileiros ocorre de forma contínua, abastecendo abatedouros clandestinos e açougues da região.
Animais contrabandeados entram sem pagar taxas alfandegárias, impostos de importação ou custos de fiscalização sanitária, permitindo que sejam vendidos por preços inviáveis para os produtores legais paraguaios.
A fronteira seca entre o Brasil e o Paraguai possui centenas de estradas rurais não fiscalizadas, o que facilita a travessia de caminhões sob a cobertura da noite ou utilizando Guias de Trânsito Animal (GTA) falsificadas.
Esse tipo de contrabando preocupa órgãos internacionais de saúde animal. Animais sem certificado biológico e sanitário podem transportar doenças graves (como a peste suína ou febre aftosa), o que coloca em risco todo o status sanitário e as exportações do país comprador (neste caso, o Paraguai). Em razão disto, pelas regras, os animais são eliminados de acordo com as determinações da saúde pública e órgãos de defesa da sanidade animal do vizinho país.
Consequências para o Brasil
O maior risco econômico é a quebra de protocolos de rastreabilidade e controle sanitário (como barreiras contra a Febre Aftosa ou Peste Suína Africana). Se um foco de doença for detectado na região de fronteira decorrente de trânsito ilegal, zonas inteiras podem perder certificações internacionais de exportação, gerando prejuízos bilionários à agropecuária brasileira.
A venda informal e ilegal resulta em não recolhimento de impostos (como ICMS e contribuições federais) e afeta os produtores regulares que arcam com custos de sanidade, biossegurança e tributos.
A entrada de suínos brasileiros sem controle gera fortes protestos de associações agrícolas paraguaias (como a APPC) devido ao impacto nos preços locais, o que pode desencadear restrições comerciais formais, fiscalizações mais rigorosas na fronteira e atritos bilaterais no Mercosul.
Veículos de transporte não higienizados que transitam livremente entre os países sem fiscalização da Adapar, Iagro ou do Ministério da Agricultura (MAPA) podem reintroduzir patógenos em granjas comerciais brasileiras.
Elder Boff/FE com inf. Radio Concierto 89.1/PY






