Além da paralisação, os Correios enfrentam uma grave crise financeira com bilhões em prejuízos acumulados desde 2023 e discussões sobre empréstimos bilionários e reestruturação
Os trabalhadores dos Correios decidiram entrar em greve por tempo indeterminado após o impasse nas negociações salariais com a diretoria da estatal. A paralisação foi aprovada na noite de quinta-feira (10) em assembleias lideradas pelos sindicatos estaduais.
Segundo a Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (Findect), a greve teve início às 22h, respaldada por 35 sindicatos da categoria.
Mesmo após sucessivas rodadas de negociação e tentativas de mediação por parte do Tribunal Superior do Trabalho (TST), a direção da empresa manteve sua proposta inicial, que foi rejeitada pelos trabalhadores.
Além do reajuste salarial, o principal ponto de conflito envolve o plano de saúde da categoria: os funcionários acusam a direção dos Correios de tentar retirar a manutenção da cobertura médica por parte da empresa, o que transferiria o custeio integral aos trabalhadores.
Crise financeira histórica e desafios de gestão no governo Lula
A nova onda de paralisações ocorre em meio a um cenário delicado de reestruturação das contas da empresa estatal. Desde o início da atual gestão do governo Lula, a alta cúpula dos Correios tem enfrentado o desafio de reverter sucessivos prejuízos acumulados e equilibrar o caixa, pressionado pelo aumento dos custos operacionais, pela forte concorrência do mercado privado de logística e por passivos trabalhistas históricos.
A crise financeira reacendeu o debate sobre a eficiência operacional da empresa aparelhada pelo governo e a sustentabilidade de benefícios da categoria. Enquanto a administração busca cortar despesas operacionais e rever contratos como o do plano de saúde para contingenciar o déficit, os sindicatos argumentam que o plano de austeridade precariza as condições de trabalho e repassa a conta da gestão para os funcionários.
Durante o movimento, as agências seguem com atendimento parcial, mas a entrega de encomendas e correspondências pode sofrer atrasos. A empresa orienta o uso de canais digitais para rastreamento de objetos.
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Elder Boff/FE com inf. Findect






