A rodovia que deveria simbolizar o progresso e a integração regional transformou-se em um cenário diário de apreensão, poeira e graves riscos à vida. Na manhã desta quarta-feira (16), a ridícula condição de trafegabilidade no trecho de Santa Helena da estrada que liga o município a Ramilândia provocou mais um acidente grave: um automóvel perdeu o controle devido às péssimas condições da pista e acabou capotando.
O episódio, que por sorte não deixou vítimas feridas, expõe de forma dramática o abandono de uma obra estratégica que se arrasta sem solução cabível por parte do poder público.
Este é o terceiro acidente registrado no mesmo local em questão de poucos dias. Há menos de uma semana, a apreensão tomou conta dos moradores quando um ônibus escolar e um caminhão se envolveram em uma ocorrência nas imediações, trazendo pânico às famílias da zona rural e dos distritos vizinhos.
Logo em seguida, outro veículo de passeio também sofreu um acidente no mesmo trecho. A sequência de sinistros escancara que o perigo deixou de ser um risco eventual para se tornar uma certeza diária a quem precisa trafegar pela via.
O que causa ainda mais indignação na comunidade é que o projeto executivo foi custeado pela cooperativa Lar e os recursos financeiros para a execução da obra foram garantidos pela Itaipu Binacional.
Ao Governo do Estado do Paraná cabia unicamente a tarefa de licitar, fiscalizar e executar o projeto. No entanto, o Estado demonstra total incapacidade de resolver os entraves burocráticos e jurídicos ligados à contratação ou recontratação da empresa responsável — a Construtora Castilho —, deixando a população à própria sorte em meio a buracos, desvios mal sinalizados e poeira.



(Imagens: Internautas enviadas a Fonte Extra)
Descaso ou incompetência?
Diante do silêncio oficial e da falta de respostas concretas sobre quando o trecho de Santa Helena será finalizado, a população se pergunta se o cenário atual é fruto de pura incompetência administrativa do Governo Estadual ou de evidente má vontade com a região.
Não há explicação plausível para que a estrutura governamental não tenha resolvido o impasse contratual antes que as vidas dos usuários da rodovia fossem colocadas em risco recorrente. O sentimento geral é de que o pequeno trecho pertencente a Santa Helena foi deliberadamente relegado ao segundo plano.
É bem verdade que uma minoria de lindeiros do distrito de São Roque contribuiu para travar o andamento das negociações e o ritmo das máquinas no passado, adotando uma postura individualista que hoje afeta a todos.
Contudo, a imensa maioria dos moradores de São Roque, do município de Santa Helena e de toda a região do Oeste paranaense assiste com revolta a mais um capítulo do descaso estadual com o desenvolvimento local.
Frustração da maioria
A frustração é generalizada entre agricultores, motoristas e famílias que dependem diariamente da via para o escoamento da produção e o transporte escolar.
A esperança de um povo que tanto aguardava por essa ligação asfáltica foi suspensa pela burocracia e pela falta de ação do Estado.
Esse cenário de abandono dificilmente passará impune pela memória coletiva, visto que o pré-candidato apoiado pelo atual governo ocupou justamente a liderança da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística durante o período em que o processo ruiu.
A conta desse descaso, que hoje cobra seu preço em veículos destruídos e vidas em risco, certamente terá seu troco cobrado pela população diretamente nas urnas.

Foto: Internautas enviadas a Fonte Extra
Elder Boff/Fonte Extra






