Em um vídeo publicado nas redes sociais, uma agricultora identificada como Cristina afirmou que a agricultura familiar “não começou com nenhum partido político” e declarou apoio a Bolsonaro. Filha e neta de agricultores familiares, ela disse que fala a partir da realidade da própria família e defendeu que o setor não seja usado “apenas como bandeira política”. O vídeo, de pouco mais de três minutos, circula às vésperas do segundo turno das eleições, marcado para domingo (25).
Cristina afirmou que a agricultura familiar existe há gerações e foi construída por famílias que começaram do zero, trabalharam de sol a sol e assumiram riscos para colocar alimento na mesa dos brasileiros. Segundo ela, há agricultores que conquistaram seu espaço sem depender de programas de distribuição de terras. A agricultora disse reconhecer a importância dos assentamentos, mas defendeu que também seja reconhecida a história de quem começou com pouco e construiu patrimônio com esforço próprio. “Defender um partido é um direito, mas nenhum partido é dono do campo”, declarou.
Ao falar de políticas públicas, ela afirmou que o Bolsa Família é importante para quem precisa, mas que assistência social é diferente de apoio à produção. Para Cristina, o agricultor também precisa de crédito, seguro rural, estradas e condições para produzir. Ela defendeu que os programas sejam avaliados pelos resultados, e não apenas pelo partido que está no poder.
Como exemplos, a agricultora citou o Fies e o Pronaf, criados durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. Segundo ela, o Fies surgiu em 1999 para financiar o ensino superior. Sobre o Pronaf, Cristina disse que o programa teve origem em 1995, a partir da reformulação de uma iniciativa anterior, e foi oficialmente instituído em 1996. Ela ressaltou que o programa oferece financiamento, e não dinheiro gratuito: o produtor investe, assume riscos e precisa pagar.
Em relação ao Pronaf, os registros oficiais confirmam a cronologia citada. Segundo pesquisas do Ipea e do Banco do Nordeste, o programa nasceu em 1995 como linha de crédito de custeio, a partir da reformulação do Provap, e foi criado como programa de governo em 1996, pelo Decreto nº 1.946, no governo Fernando Henrique Cardoso.
A agricultora também mencionou a entrevista de Lula ao Jornal Nacional em 2022. Na ocasião, em 25 de agosto, o então candidato disse que parte do agronegócio é “fascista e direitista” e que os empresários sérios do setor não querem desmatar. Em setembro daquele ano, em entrevista ao Canal Rural, Lula afirmou que não havia generalizado o setor. Para Cristina, o episódio mostra a importância de respeitar quem pensa diferente.
No trecho final, Cristina declarou que defende Bolsonaro por acreditar na liberdade econômica, na propriedade privada e em quem produz. Ela fez a ressalva de que isso não significa que ele não deva ser cobrado, porque “nenhum partido político está acima das críticas”. Cristina concluiu que o agricultor familiar não deixa de ser agricultor por votar na direita ou na esquerda, e que a agricultura familiar “não é propaganda política, é trabalho, é sacrifício, é história”. O vídeo termina com a frase “a terra não tem partido e o trabalho não tem ideologia”, seguida da ressalva de que se trata de uma opinião pessoal.
Confira o vídeo abaixo:
Lucas Oruam/FE com inf. de vídeo publicado por Elis Carla Colombi






