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Paraguai cria unidade antiterrorismo na Tríplice Fronteira

Foto: Agência IP/Governo do Paraguai.

O Paraguai colocou em funcionamento uma nova unidade especializada no combate ao terrorismo em Ciudad del Este, no departamento de Alto Paraná, próximo à fronteira com Foz do Iguaçu. A estrutura foi visitada na quarta-feira (21) pelo presidente paraguaio, Santiago Peña, e pelo subsecretário de Estado dos Estados Unidos, Christopher Landau, em meio ao fortalecimento da cooperação entre os dois países na área de segurança.

A Companhia Contraterrorista integra as Forças Armadas paraguaias e está instalada na sede da Terceira Divisão de Infantaria. Segundo Peña, a estrutura foi financiada pelo próprio Paraguai, enquanto os Estados Unidos contribuíram com o treinamento dos militares. A iniciativa busca ampliar a capacidade de resposta a ameaças na Tríplice Fronteira, região que reúne Brasil, Paraguai e Argentina.

Durante a visita, Landau destacou a importância de reforçar a presença do Estado na região e afirmou que a cooperação entre os países é necessária para enfrentar ameaças transnacionais. Peña, por sua vez, citou as ações contra organizações criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), que atuam em diferentes países da América do Sul.

O presidente Santiago Peña com o subsecretário de Estado dos Estados Unidos, Christopher Landau. Foto: @SantiPenap

Por que a Tríplice Fronteira preocupa as autoridades?

A região formada por Ciudad del Este, Foz do Iguaçu e Puerto Iguazú, na Argentina, é um dos principais corredores comerciais e turísticos da América do Sul. O intenso fluxo de pessoas, veículos e mercadorias movimenta a economia local, mas também exige fiscalização constante para combater crimes como tráfico de drogas, contrabando, lavagem de dinheiro e circulação de produtos ilícitos.

A preocupação com possíveis redes de financiamento do terrorismo na região não é recente. Os atentados contra a Embaixada de Israel, em Buenos Aires, em 1992, e contra a Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA), em 1994, contribuíram para aumentar a atenção internacional sobre possíveis conexões financeiras e logísticas de organizações extremistas na América do Sul. Esses ataques ocorreram na Argentina, e o histórico de investigações não significa que a população da Tríplice Fronteira esteja envolvida com terrorismo.

Os Estados Unidos consideram a região estratégica para o monitoramento de possíveis redes de financiamento e apoio a organizações terroristas, incluindo o Hezbollah. Essas avaliações fazem parte das preocupações de segurança apresentadas por autoridades norte-americanas ao longo dos anos, mas devem ser diferenciadas de provas de que exista uma ameaça terrorista iminente em Ciudad del Este.

Cooperação com os Estados Unidos

A nova unidade faz parte de uma aproximação mais ampla entre Assunção e Washington na área de segurança. Durante a visita, os governos também destacaram iniciativas de assistência para combater o financiamento do terrorismo e o crime organizado transnacional, além de ampliar a capacidade paraguaia de investigação e controle de fronteiras.

Segundo informações divulgadas pela imprensa paraguaia, os Estados Unidos anunciaram US$ 11,75 milhões em assistência relacionada à segurança. Desse total, US$ 5,5 milhões serão destinados a iniciativas de combate ao financiamento do terrorismo, enquanto outros US$ 6,25 milhões serão voltados à cooperação contra a criminalidade transnacional. Os recursos abrangem diferentes programas e não representam exclusivamente o custo da nova unidade militar.

A participação norte-americana ocorre por meio de treinamento e cooperação institucional. Até o momento, não foi anunciado que a unidade de Ciudad del Este funcionará como uma base militar dos Estados Unidos. O governo paraguaio afirmou que a estrutura é um investimento nacional, com capacitação fornecida pelos norte-americanos.

Foto: Édgar Medina.

Reflexos para o Brasil

A instalação da companhia acrescenta uma estrutura militar especializada às iniciativas de segurança em uma região que já conta com mecanismos de cooperação entre os três países. Desde 1996, Brasil, Paraguai e Argentina mantêm o Comando Tripartite, voltado ao intercâmbio de informações e à coordenação de ações contra crimes transnacionais.

Para o Brasil, especialmente para Foz do Iguaçu e o oeste do Paraná, o reforço da segurança no lado paraguaio pode ter reflexos nas estratégias de fiscalização e troca de informações entre autoridades. No entanto, ainda não foram divulgados detalhes sobre operações conjuntas específicas entre a nova unidade e as forças brasileiras.

A iniciativa ocorre em um cenário de maior aproximação entre Paraguai e Estados Unidos no combate ao terrorismo, ao narcotráfico e às redes criminosas internacionais. O impacto prático dependerá da atuação da unidade e da cooperação entre os órgãos de segurança dos países vizinhos.




Lucas Oruam/FE com informações do 100fronteiras, ABC Color, Agência IP e imprensa paraguaia.

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