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Chega de ficar à margem da sociedade: Indígenas lutam para trabalhar, produzir e explorar inclusive a mineração

Indígena Arnaldo Zunizakaê Pareci, na lavoura (Foto: Mayke Toscano e José Medeiros/Campo Novo Do Parecis (MT)

Na base de que o nativo não precisa ficar só no mato, caçando, pescando e recebendo migalhas da Funai e de outros órgãos assistenciais ou ONGs mal intencionadas, uma corrente importante de indígenas tem outra visão em relação ao próprio futuro.

Grande parte dos indígenas ainda são tratados e alguns até se sentem verdadeiros silvícolas na acepção da palavra.  Descontando povos originários que optaram por viver no isolamento, o restante está inserido na sociedade, mas muito à margem dela.

Sobre as exceções, a Amazônia brasileira abriga o maior número de povos indígenas isolados conhecidos no planeta. No Brasil, apenas um deles vive fora do bioma, os Avá-Canoeiro, que ocupam terras de Tocantins e Goiás. A Funai contabiliza oficialmente 114 registros desses grupos no país, só 28 confirmados.

Indígena, membro da etnia wapixana, advogado e presidente da União Nacional dos Indígenas do Brasil (Divulgação)

Em contato com o jornal Fonte Extra, o advogado indígena Ubiratan Maia, presidente da Unib, União Nacional dos Indígenas do Brasil, enviou a carta aberta produzida pela entidade em conjunto com outros representantes da classe.

Maia hoje é um dos intelectuais indígenas com grande força dentro dessa corrente indígena nacional de desenvolvimento que busca o progresso capitalista em prol das aldeias e do Brasil, em oposição à visão tradicional do “bom selvagem”.

Ele critica a visão romântica e argumenta que a manutenção de reservas intocadas atende a interesses internacionais, especificamente de países como Estados Unidos e aqueles da Europa Ocidental.

Na Carta Aberta à Sociedade Brasileira, indígenas representantes de 70 etnias diferentes mostram que querem a inserção na sociedade e fazer parte do contexto de desenvolvimento do país, sem radicalismos, buscando a modernidade dos tempos atuais e principalmente, sem continuar sendo massa de manobra de interesses escusos.

Índio pode se inserir na sociedade e não ficar só caçando e pescando, sendo massa de manobra da Funai e outros órgãos, principalmente ONGs mal intencionadas (Foto: Canva Pro)

CARTA ABERTA À SOCIEDADE BRASILEIRA – PELO DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL DAS TERRAS INDÍGENAS E DO BRASIL, URGENTE!

Nós, indígenas do Brasil, reunidos em Brasília – DF, representando de forma efetiva 70 etnias de todas as regiões do país, com a legítima convicção de que juntos podemos colaborar para o desenvolvimento nacional e construir um Brasil justo, próspero e soberano no sentido de combater nossa desigualdade regional e nacional, anunciamos que estamos promovendo o 2º Encontro Nacional de Produtores Indígenas do Brasil, que será realizado em Brasília – DF, em data a ser estabelecida ainda no ano de 2025.

Nosso objetivo será discutir e debater as demandas das terras indígenas e seus potenciais e ao mesmo tempo, criarmos uma entidade jurídica representativa dos direitos e interesses das etnias do país.

O Brasil passa por momentos de extremas dificuldades fiscais e sociais, diante disso, é necessário de uma vez por todas fazer com que a economia esteja baseada em lastros palpáveis e não especulativos, desta forma, as terras indígenas do país podem e devem ser aproveitadas para gerar riquezas e divisas, que coloquem as mesmas como um ativo valioso em meio às turbulências de ordem nacional e internacional.

Para tanto, é imprescindível que o Congresso Nacional do Brasil e o Supremo Tribunal Federal (STF), consolidem a situação da legislação acerca das parcerias econômicas (agrícolas, pecuárias, extrativistas), do turismo, do licenciamento, do crédito e da isenção fiscal, e a também aprovem definitivamente a utilização de sementes transgênicas, potenciais energéticos, mineração (inclusive de terras raras), exploração de petróleo e gás, assim como o manejo florestal nas terras indígenas da nossa nação.

Por fim, conclamamos toda a sociedade brasileira para estar conosco nesse projeto nacional, onde nós indígenas do Brasil contribuiremos em um futuro breve e de forma concreta, para o equilíbrio fiscal das contas públicas e da mesma forma para nossa qualidade de vida individual e coletiva.

O que aqui buscamos possui respaldo constitucional e não admitiremos quaisquer influências externas que procurem nos cercear o direito de decidir e implementar nossos próprios processos e projetos de desenvolvimento ou de limitar as possibilidades de geração de renda das terras indígenas do Brasil.

BRASÍLIA – DF, 27 DE JUNHO DE 2025

Comissão Organizadora do 2º Encontro Nacional de Produtores Indígenas do Brasil.

E-mail: nacionalprodutoresindigenas@gmail.com



Fonte Extra

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