Por Caio Gottlieb*
Outrora a nação mais próspera da América Latina, a Venezuela hoje é a nova Cuba com sotaque tropical — mas com um detalhe que a torna ainda mais sinistra: em Caracas não se distribui apenas racionamento, distribui-se cocaína.
O caminho foi pavimentado quando o vizinho incômodo, a Colômbia, apertou o cerco contra as Farc no início dos anos 2000, sob o governo de Álvaro Uribe, apoiado com verbas abundantes enviadas de Washington.
Acuados, os guerrilheiros procuraram abrigo além da fronteira. E encontraram em Hugo Chávez não um obstáculo, mas um patrocinador: promessas de centenas de milhões de dólares, logística, liberdade de movimento e até pedidos para eliminar desafetos do bolivariano.
Os computadores apreendidos na famosa Operação Fênix, em 2008, revelaram a promiscuidade explícita entre os terroristas e o Estado venezuelano.
A partir dali, a fronteira deixou de ser fronteira e virou corredor. Em poucos anos, o fluxo de cocaína pela Venezuela quintuplicou: 40% da droga do planeta começou a sair por lá.
O negócio precisava de zeladores — e foi nesse momento que surgiu o nome que se tornaria sinônimo de governo paralelo: o Cartel de los Soles. Os sóis dourados das insígnias militares transformaram-se em metáfora perfeita: quanto mais alto o posto, maior o brilho… e maior a fatia no tráfico.
Não era um cartel clássico, como Medellín ou Sinaloa. Era algo mais perverso: uma rede de generais, ministros, oficiais e funcionários que usavam a máquina do Estado para liberar pistas clandestinas, livrar traficantes da prisão, garantir voos carregados de cocaína.
Da parceria com El Chapo Guzmán às conexões com o PCC, a Venezuela converteu-se em alfândega do crime. Não se tratava de coibir, mas de administrar o negócio — e de repartir o butim com os fardados cuja lealdade Chávez e Maduro compraram a peso de pó.
O resultado é tão escandaloso quanto objetivo: 8,5% do PIB venezuelano hoje vem do tráfico. O país detém um quarto do mercado global de cocaína. Um Estado que já viveu do petróleo agora sobrevive da droga. Um verdadeiro narco-estado.
Enquanto isso, por aqui, Brasília estendeu o tapete vermelho para um ditador que transformou a cocaína em ofício de Estado. Lula abraçou Maduro como chefe de governo, concedeu-lhe honrarias e deferências, ignorando o retrato real: perseguição implacável a opositores, prisões arbitrárias, assassinatos seletivos, milícias armadas aterrorizando a população, fome endêmica que expulsou milhões de venezuelanos pelas estradas das Américas — inclusive para o Brasil.
Tudo sob o pano de fundo de eleições fraudadas, roubadas à luz do dia, que garantem a perpetuação de um tirano no poder. Vergonha nacional: o Brasil tratou como estadista quem já era, de fato, narcotraficante e ditador sanguinário.
E há quem ainda fale em solidariedade bolivariana. O MST que o diga: encontrou guarida em Caracas, como braço auxiliar do regime, provando que não se trata de utopia, mas de cumplicidade.
Hoje, a recompensa americana de 50 milhões de dólares pela captura de Maduro não é bravata — é operação em curso. A Marinha dos Estados Unidos já posicionou navios de guerra no Caribe, patrulhando as rotas que levam a cocaína venezuelana para as praias da Flórida. O recado é claro: se o Brasil preferiu aplaudir um ditador, os americanos decidiram caçá-lo.
Se o conseguirem, terão prestado um serviço inestimável para o mundo civilizado.

*Jornalista, publicitário, fundador e sócio-proprietário da Caio Publicidade, atua na TV Tarobá desde a sua fundação em 1979, conduzindo o programa de entrevistas Jogo Aberto.
Fonte Extra







