Por Caio Gottlieb*
Não deixa de ser reconfortante assistir ao zelo com que o Supremo Tribunal Federal se empenha em preservar a imagem do Brasil como um país onde a impunidade jamais encontra abrigo.
É comovente ver os ilustres magistrados da Corte, ciosos de sua responsabilidade, tão atentos ao risco de uma anistia passar ao mundo a mensagem errada de que aqui, nesta terra virtuosa, o crime compensa.
A história recente está aí para provar que o STF está corretíssimo: no Mensalão, todos os envolvidos receberam punições exemplares. Penas duríssimas, que marcaram época e ensinaram às futuras gerações de políticos que jamais, em hipótese alguma, valeria a pena meter a mão no dinheiro público.
Depois veio o Petrolão, desbaratado pela Lava Jato. As empreiteiras corruptoras pagaram até o último centavo das multas, devolveram os bilhões surrupiados da Petrobras e sumiram do mapa. E o chefão de todo o esquema, aquele ex-presidente, segue até hoje atrás das grades, cumprindo a longa pena que o condenou, sem jamais sonhar em voltar ao Palácio do Planalto.
Na pandemia, quando respiradores inservíveis e contratos fraudulentos sugaram bilhões de reais da saúde, a reação foi imediata: todos os responsáveis foram julgados e encarcerados. Nenhum escapou. Todos responderam perante a lei, e o povo brasileiro pôde dormir tranquilo sabendo que seus recursos estavam protegidos pela mão firme da Justiça.
Enquanto isso, chefões do tráfico e condenados por crimes hediondos seguem rigorosamente presos, cumprindo suas sentenças integrais, sem qualquer benefício ou saída milagrosa. Nem pensar em progressão de regime, habeas corpus generoso ou soltura relâmpago.
E agora, para coroar, temos o escândalo do INSS, com seis bilhões de reais evaporados em fraudes. Felizmente, todos os envolvidos já estão presos, algemados, e jamais sairão para usufruir do butim.
É por isso que soa tão lógica, tão natural e tão coerente a preocupação do Supremo, paladino da ética e da moral, em barrar uma anistia que poderia manchar esse conceito imaculado que o Brasil desfruta.
Imagine só: perdoar manifestantes, autoridades e políticos acusados de um golpe de Estado que nunca houve poderia, sim, abalar a reputação de uma nação que sempre castigou severamente seus corruptos e criminosos — ensinando, afinal, que aqui o crime não compensa.

*Jornalista, publicitário, fundador e sócio-proprietário da Caio Publicidade, atua na TV Tarobá desde a sua fundação em 1979, conduzindo o programa de entrevistas Jogo Aberto.
Fonte Extra







