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A nova cruzada contra o agronegócio atinge em cheio o Paraná

Por Caio Gottlieb*

Enquanto o Brasil tenta produzir, exportar e gerar empregos, há quem se esforce para sabotar tudo isso — e ainda o faça sob o pretexto de proteger a natureza. A mais recente façanha vem da Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio), que, sob o manto verde, está prestes a desencadear um ataque sem precedentes contra o agronegócio nacional.

A proposta em debate reclassifica como espécies exóticas e invasoras mais de duzentas cultivadas no país, entre fauna e flora — de peixes a árvores, de frutas a forrageiras. Um pacote que, se aprovado, ameaça mergulhar na ilegalidade setores inteiros da produção brasileira.

O primeiro alerta veio da piscicultura, setor que transformou a tilápia em um caso de sucesso global. Hoje, o Paraná responde por 70% da produção nacional, impulsionando exportações, emprego e renda. E é justamente esse exemplo de prosperidade que parece incomodar.

Alarmado, o deputado federal Pedro Lupion, presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), denuncia que há uma armadilha embutida nessa proposta: ao classificar a tilápia como espécie invasora, abre-se caminho para a aplicação da Portaria 145-N/1998 do Ibama, que proíbe a reintrodução de espécies aquáticas para fins de criação e abate.

Ou seja, seria, na prática, o fim da produção de tilápia no Brasil — uma manobra sutil, mas devastadora.

E a lista não para por aí. O mesmo golpe se abateria sobre o camarão vannamei, criado em larga escala no Nordeste, sobre frutas como manga, jaca e goiaba, e até sobre as bases florestais de pinus e eucalipto, que sustentam a indústria de papel, celulose e madeira de reflorestamento. Empresas como Klabin e Suzano, que investem bilhões e sustentam milhares de empregos, seriam tragadas junto com a suposta “reclassificação”. O impacto seria incalculável — em arrecadação, exportações e destruição de postos de trabalho.

Nem a braquiária, a planta que revolucionou a pecuária e ajudou o Brasil a se tornar o maior exportador de carne do mundo, escapou da sanha “ambiental” dessa lista. Tudo em nome de uma ideologia que despreza a ciência, a técnica e a realidade econômica do país.

O mais grave é que o processo está sendo conduzido pelo ICMBio e pela Secretaria Nacional da Biodiversidade, sem a participação dos ministérios da Agricultura e da Pesca, que são diretamente responsáveis por essas cadeias produtivas.

Como bem observou Lupion, trata-se de uma afronta direta à Política Nacional do Meio Ambiente, que exige integração entre as políticas públicas. O próprio Mapa já questionou formalmente a ausência de embasamento técnico e de estudos sobre o impacto socioeconômico que essa aventura pode gerar.

Em suma, não há ciência, não há diálogo, não há bom senso.

O que há é um projeto ideológico travestido de proteção ambiental — uma tentativa disfarçada de criminalizar o produtor rural, o mesmo que alimenta o país e sustenta a balança comercial brasileira.

No próximo dia 8 de dezembro, a Conabio deve deliberar sobre essa proposta. É o tipo de decisão que se toma em gabinetes refrigerados, longe da realidade de quem planta, cria e trabalha. E é também o tipo de pauta que levanta perguntas incômodas — as mesmas que ecoam no campo, nas cooperativas, nas indústrias e nas exportações que sustentam o Brasil.

A quem interessa essa tramoia? Quem ganha com a paralisia de um país que produz, gera riqueza e preserva mais do que consome? Quem lucra com o retrocesso travestido de virtude? O Brasil, definitivamente, não é.



*Jornalista, publicitário, fundador e sócio-proprietário da Caio Publicidade, atua na TV Tarobá desde a sua fundação em 1979, conduzindo o programa de entrevistas Jogo Aberto.




Fonte Extra

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