Por Elder Boff*
Por mais que soframos todos com a intempérie exacerbada que se fez notar com a intensidade poucas vezes vista em nossa região, cabe uma reflexão acerca da reação das pessoas diante de fatos desta natureza.
Fiquei sabendo de gente criticando o prefeito, outros dizendo que é castigo de Deus, uns colocando a culpa no desmatamento, mais alguns colocando a culpa nas próprias vítimas do temporal, tipo “construiu sem planejamento”, “falam de prejuízo, mas não dão bola pros frangos que possam ter morrido” (essa foi forte).
Mas esse nem é o sentido de minha abordagem. Vi uma publicação bem sensata de alguém, no meio de toda essa chuvarada: “Chuva abençoada”. Pois é, neste momento em que lamentamos sim, os danos causados pela enxurrada, às vezes esquecemos que a chuva é mesmo, muito abençoada.
Outro detalhe bem importante e que, como pensamos muito no que está bem próximo de nosso “rhinós”, esquecemos de fazer traços comparativos, por exemplo, com o que sofreu o Rio Grande do Sul em 2024.
As enchentes históricas de maio do ano passado, causaram uma intensa, dolorosa e dramática destruição em praticamente todos os municípios gaúchos, afetando 478 dos 497 existentes e provocando, percebam: 185 mortes e até hoje 24 pessoas desaparecidas.
Cito um caso concreto que encontrei no DW, um site alemão reproduzido em 30 idiomas e que teve um olhar interessante para este aspecto: Moradora de Muçum, no Rio Grande de Sul, ela e o marido Eduardo Brino, de 25 anos, perderam, em uma única tarde, seis familiares nas enchentes que atingiram o estado entre o final de abril e o início de maio de 2024. Os avós Elirio e Erica Brino, de 78 anos, seguem desaparecidos até hoje.
Precisamos nos queixar menos e diminuir a imbecilidade de certos comentários.

*Editor-chefe do Fonte Extra.








