Por André Becker*
“Auxiliares usam pesquisas para tentar fazer Lula seguir script após declarações sobre segurança pública repercutirem mal” (O GLOBO, 16/11/25)
As últimas declarações de Lula sobre segurança pública mostraram mais uma vez o que já está evidente: o presidente está muito mais preocupado com o palanque de 2026 do que com o país que governa. Cada palavra mal colocada, cada recuo calculado e cada discurso construído por marqueteiros revela um governo que vive de aparência enquanto o Brasil real sangra.
Enquanto o cidadão de bem enfrenta violência crescente, Lula se ocupa com índices de rejeição. Enquanto famílias inteiras vivem sob o domínio do crime, o presidente finge que tudo se resolve com narrativa. E os mesmos auxiliares que tentam “lapidar” seu discurso sabem que o problema não é a fala — é a prática.
O desmanche da Lava Jato não foi coincidência. Foi conveniência.
Conveniente para quem queria reescrever a própria história.
Conveniente para quem tinha pressa em apagar rastros.
Conveniente para quem, como já disse o atual vice-presidente antes da eleição, “voltou à cena do crime”.
E os fatos falam alto: escândalos envolvendo parentes, denúncias no INSS, aliados próximos enredados em corrupção, viagens pagas com dinheiro público para atender interesses particulares — como a operação para buscar a ex-primeira-dama do Peru com avião da FAB, segundo informações, o gasto foi de 345 mil nessa viagem. Mas quem diz ser transparente, decreta sigilo de 100 anos para todas as contas envolvendo a família real. Tudo isso num ambiente onde decisões judiciais passam a anular provas, devolver dinheiro ilícito e absolver quem já havia confessado.
A pergunta que fica é brutal:
Como exigir honestidade dos nossos filhos quando o maior exemplo de impunidade vem justamente de quem deveria defender a lei?
O Judiciário faz vista grossa, o Executivo empurra a conta para o povo e o Legislativo assiste calado, acovardado — com raríssimas exceções.
Chegamos a um ponto crítico.
Ou o Brasil rompe com a impunidade, ou continuará refém de um sistema podre que recompensa quem engana e pune quem trabalha.
O país precisa de justiça — não de discursos ensaiados, não de pesquisas de opinião, não de marketing barato.
Justiça. Sem isso, não há futuro!

* Professor, bacharel em administração de empresas pela Unioeste e pós-graduado em gestão pública. Servidor público aposentado, foi dirigente sindical e líder comunitário atuando em pastorais. Atualmente é prestador de serviços na área da construção civil, como sócio-proprietário da Tecnobrocas.
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