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Com 100% dos votos Sindicato Rural de Santa Helena renova diretoria e se prepara para nova gestão (vídeo)

O Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) de Santa Helena empossa neste sábado (18) sua nova diretoria, eleita em chapa única e ampliada de 20 para 24 membros. A cerimônia marca também os 52 anos de fundação da entidade, completados no último dia 3 de julho, e encerra o mandato atual, que termina em 24 de julho.

Segundo o presidente Flávio Bach, a chapa foi registrada após edital publicado em murais e locais públicos, além de divulgação pela imprensa. Apenas uma chapa se inscreveu e recebeu 100% dos votos de quem compareceu à votação. Bach destaca que todos os convidados a integrar a diretoria aceitaram o convite, sem recusas.

A nova diretoria passa a ter representantes de todos os distritos do município, incluindo São Clemente, Subsede, São Roque, Moreninha e Vila Celeste, entre outras comunidades. O mandato terá duração de quatro anos, padrão adotado pelo sindicato conforme o estatuto da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Paraná (FETAEP) e da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG). Alguns sindicatos da região chegaram a ter mandatos de cinco anos antes da padronização.

Bach assumiu a presidência em 2012, quando o então presidente Sadi deixou o cargo a convite do prefeito Jerlei para assumir a Secretaria de Obras do município. Desde então, Sadi permanece na chapa como secretário de finanças e será mantido na função no novo mandato.

A posse terá lista restrita de convidados e contará com a presença do presidente da FETAEP. Também confirmaram presença os três ex-presidentes ainda vivos do sindicato: Juvenil Zagonel, que mora em Porto Alegre; Luiz Barela, do interior de São José das Palmeiras; e o próprio Sadi, morador do distrito da Moreninha.

De acordo com Bach, cada um deixou uma marca própria na história da entidade. Zagonel foi responsável pela construção da sede do sindicato, apontada por Bach, que já atuou como coordenador regional da FETAEP, como uma das melhores estruturas sindicais do oeste do Paraná. Barela assumiu em um momento de gestão conturbada e reorganizou a entidade.

Bach afirma que o período mais difícil da história recente do sindicato ocorreu justamente após sua própria chegada à presidência, quando foram quitados mais de R$ 300 mil em dívidas deixadas por gestões anteriores. Foi também durante sua gestão, em 2017, que o sindicato liderou a mobilização para manter a aposentadoria rural por segurado especial aos 60 anos para homens e 55 para mulheres, direito que a categoria já disputava desde a Constituinte.

Para garantir a manutenção da regra, dirigentes sindicais do Paraná viajaram semanalmente a Brasília para negociar com deputados e senadores, além de atos em Cascavel, Londrina, Maringá, Guarapuava, Ponta Grossa e Curitiba. Em Cascavel, mais de 3 mil pessoas participaram de uma passeata até a agência do INSS. Em Santa Helena, sete dos nove vereadores da Câmara Municipal apoiaram publicamente a mobilização.

O STR de Santa Helena oferece atualmente orientação para emissão da nota fiscal eletrônica do produtor rural, cuja obrigatoriedade em todo o Paraná começou a valer nacionalmente a partir de 5 de janeiro de 2026, conforme o Ajuste SINIEF 27/2024 do Confaz, que extinguiu o antigo talão de papel modelo 4.

O sindicato também auxilia em declarações de posse de propriedades sem matrícula e no Imposto Territorial Rural (ITR), além de manter convênios de saúde com clínicas de Cascavel, Toledo e Santa Helena, incluindo o Laboratório Anchieta, com descontos de 40% a 60% para associados.

Segundo Bach, o sindicato oferece ainda assessoria jurídica, principalmente para processos de aposentadoria que combinam tempo de trabalho rural e carteira assinada, além de distribuição de mudas de frutas, sementes de alho e alevinos para produtores que criam peixes em açudes.

Sobre o Plano Safra deste ano, Bach avalia que o programa é construído em conjunto pelo movimento sindical, tanto da agricultura familiar quanto empresarial, em negociação com parlamentares, governo e Senado para definir valores e juros. Para ele, o resultado nem sempre atende às expectativas da categoria, mas reflete o que é possível conquistar nesse processo.

O Plano Safra da Agricultura Familiar 2026/2027, lançado no fim de junho pelo governo federal, prevê R$ 97,3 bilhões em crédito rural, seguro agrícola, compras públicas e assistência técnica, dos quais R$ 85,2 bilhões vão para o Pronaf, alta de quase 9% em relação à safra anterior. Uma das principais mudanças foi a redução dos juros do Pronaf Custeio para produção de alimentos básicos, como arroz, feijão e leite, de 3% para 2% ao ano, e para sistemas agroecológicos e orgânicos, de 2% para 1% ao ano.

Bach cita ainda a discussão recente sobre financiamento de picapes voltadas a produtores de peixe e olericultura, que depende do enquadramento no PRONAF conforme análise técnica de cada projeto.

Confira a entrevista abaixo:

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