Resultado robusto de 2025 e forte arrancada no primeiro trimestre de 2026, terminal hidroviário se prepara para expansão recorde com asfalto no lado paraguaio e novas balsas de alta capacidade. Santa Helena terá anel viário e reestruturação portuária
O Porto Internacional de Santa Helena consolidou-se em 2025 e neste início de 2026 como um dos principais eixos logísticos para o comércio exterior na região da tríplice fronteira. Movimentando mais de 1 milhão de toneladas de cargas ao longo do ano passado e registrando um crescimento expressivo no primeiro trimestre do ano corrente, o terminal hidroviário posiciona-se de forma crucial no escoamento de mercadorias entre o Brasil e o Paraguai.
A expectativa do setor é de uma expansão ainda mais acelerada nos próximos meses, impulsionada pela conclusão das obras de pavimentação asfáltica entre o Porto Índio e o Cruce Itakyry, no lado paraguaio, além de investimentos maciços na frota de travessia.
Este crescimento previsto motivou a administração pública de Santa Helena a investir bastante em projetos para reestruturar o terminal portuário, ampliando sua capacidade projetando o aumento significativo da movimentação entre os dois países.
Estudos realizados por empresas especializadas do setor de portos, já apresentaram uma extensa análise que serve de base para os investimentos necessários que deverão acontecer já a partir deste ano.
Em parceria com o Governo do Estado, foi assinado recentemente um plano de aumento da capacidade viária em razão do complexo portuário com a construção de um anel viário, viaduto e melhorias nas rodovias da região, com novos acostamentos e terceiras pistas.
Também foi projetado, diante de estudos que vem sendo realizados há tempos, a abertura do porto nos finais de semana, cuja reivindicação é unânime pelos dois países há vários anos, principalmente para a ampliação do despacho aduaneiro, pelo menos até ao meio-dia de sábado. Também se mantém a expectativa do funcionamento inclusive aos domingos, com olhar mais voltado às relações sociais, familiares e turísticas entre as regiões de ambos os lados do Lago Internacional de Itaipu.

(Foto: Elder Boff/Fonte Extra)
Balanço da movimentação financeira, volume de cargas e número de caminhões em 2025
De acordo com os dados oficiais da Associação Brasileira de Transportadores Internacionais (ABTI), o movimento total no Porto de Santa Helena em 2025 atingiu a expressiva marca de 1.009.917 toneladas de peso transportado. Essa movimentação gerou um fluxo financeiro de US$ 235.044.724,35, (R$ 1.183.943.781,02 no câmbio de 31 de maio) demandando a operação de 30.236 caminhões que cruzaram a fronteira através do Lago de Itaipu.
A balança comercial do porto revela um perfil predominantemente importador, refletindo a forte compra de commodities e insumos agrícolas do país vizinho. Das mercadorias movimentadas em 2025, as importações responderam por 968.486 toneladas (US$ 213,48 milhões em valor), operadas por 28.917 caminhões. Já as exportações brasileiras via terminal somaram 41.431 toneladas, totalizando US$ 21,56 milhões com o fluxo de 1.319 caminhões. Os meses de setembro, outubro e novembro registraram os maiores picos de movimentação de cargas, com o mês de outubro liderando o volume anual ao registrar 143.546 toneladas.
Mais de 30 mil travessias de caminhões foram registradas no porto em 2025. Eles carregaram mais de 1 milhão de toneladas!
Primeiro trimestre de 2026 mantém ritmo acelerado
Os resultados recém-divulgados do primeiro trimestre de 2026 demonstram que o ritmo de crescimento continua robusto. Nos meses de janeiro, fevereiro e março deste ano, o Porto Internacional de Santa Helena já movimentou 192.246 toneladas de cargas, com um valor comercial agregado de US$ 48.606.080,38 (R$ 244.833.687,48), demandando a passagem de 6.177 caminhões pelo local.
O destaque absoluto do trimestre foi o mês de março de 2026, que registrou uma impressionante atividade, contabilizando sozinho 103.370 toneladas transportadas e uma movimentação financeira de US$ 28.556.886,75, distribuídas em 2.239 caminhões. Esse forte desempenho operacional no início do ano reforça a sustentabilidade do canal logístico.

Trecho em construção entre Porto Índio e Itakyry (Foto: Elder Boff/Fonte Extra)
Infraestrutura asfáltica no Paraguai promete revolucionar a rota
A grande mola propulsora para o otimismo de exportadores, importadores e operadores logísticos reside nas obras de infraestrutura que estão em fase de conclusão no território paraguaio. O asfalto do trecho que liga o Porto Índio ao Cruce Itakyry é apontado como um divisor de águas para a economia regional.
Historicamente, a instabilidade climática e as condições da estrada de terra no lado paraguaio limitavam o tráfego regular de caminhões em dias de chuva intensa. Com a pavimentação definitiva, o Porto de Santa Helena passa a oferecer uma rota perene, segura e de tráfego rápido, reduzindo custos operacionais e o tempo de trânsito das mercadorias, conectando de forma direta as ricas regiões produtoras do Paraguai aos mercados do Sul e Sudeste do Brasil.
Outro trecho que está sendo projetado e deve sair do papel ainda em 2026 é o asfalto que vai ligar o Porto de Sanga Funda/Itaipu Porã até San Lorenzo (Troncal 3). Aquele terminal guarani já executa a travessia para o Porto de Santa Helena, mas, sofre em dias de chuva, com a impossibilidade do transporte.
Há outro projeto que já ganhou corpo também no Porto de Marangatú que faz a ligação a Nueva Esperanza (Troncal 4), que da mesma forma, tem adiantados projetos junto ao Governo Central do Paraguai.
(Clique para ampliar e novamente para retornar à matérias)



Primeira chegada, inauguração e lançamento da “Stella Maris” (Fotos: Elder Boff/F. Extra e C. Lago)
Logística de travessia: investimentos pesados em novas balsas
A eficiência logística do Porto de Santa Helena é diretamente ancorada no serviço de transporte hidroviário realizado pelas balsas. Esse serviço essencial é operado pelas empresas Navegação Santa Helena e Navegação Porto Índio, que desempenham um papel vital na integração física dos dois países.
Acompanhando a tendência de forte alta na demanda, a frota passa por uma modernização histórica. A empresa Navegação Porto Índio tem sido o grande destaque em termos de investimentos privados na região com olhar futurístico de um de seus sócios, Adjaime Pavei.
A empresa, sob o comando de Pavei, já colocou em atividade uma embarcação moderna com capacidade para transportar 24 caminhões por viagem, agilizando o escoamento diário. É a balsa Nuestra Señora Stella Maris com seu rebocador Mbaracayú I.
A Navegação Porto Índio está construindo uma nova embarcação de grande porte em seu próprio estaleiro, localizado no Porto Índio. Esta nova balsa terá capacidade ampliada para até 30 caminhões simultaneamente e tem previsão de lançamento ao lago ainda em 2026.
Somadas, as novas embarcações aumentarão drasticamente a capacidade de carga diária da travessia, garantindo que o complexo portuário absorva sem gargalos todo o incremento de tráfego esperado com a chegada do novo asfalto.
Com a convergência de investimentos públicos em rodovias internacionais e aportes privados em logística naval de alta capacidade, o Porto Internacional de Santa Helena se consolida definitivamente como uma peça estratégica de integração econômica do Mercosul.
Resumo estatístico do primeiro trimestre de 2026 (Dados Oficiais ABTI)
- Janeiro/2026: 59.749 toneladas | US$ 11.750.600,12 | 2.670 caminhões
- Fevereiro/2026: 29.127 toneladas | US$ 8.298.593,51 | 1.268 caminhões
- Março/2026: 103.370 toneladas | US$ 28.556.886,75 | 2.239 caminhões
- Total Acumulado no Trimestre: 192.246 toneladas | US$ 48.606.080,38 | 6.177 caminhões







Elder Boff/Fonte Extra com inf. ABTI/RF/FEIA (F. Extra Int. Art./Gemini)








