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Congresso do Paraguai aprova por unanimidade repúdio a fala de Lula

A Câmara dos Deputados do Paraguai aprovou por unanimidade, na quarta-feira (29), uma declaração de repúdio às falas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a Guerra do Paraguai. O congresso afirma que os comentários do petista distorcem e minimizam o significado histórico do conflito.

No documento, os parlamentares dizem que a fala revela desconhecimento sobre os antecedentes da guerra, sobre o sofrimento vivido pelo povo paraguaio e sobre as consequências demográficas, econômicas e territoriais que o conflito deixou para o país.

A Câmara pediu ainda que o governo paraguaio busque a restituição do canhão histórico conhecido como “El Cristiano” e de outros troféus de guerra que estão em território brasileiro.

A polêmica começou na sexta-feira (24), quando Lula visitou a fábrica da Avibras Aeroco, em Jacareí (SP), para defender maiores investimentos em defesa e nas Forças Armadas. Ao citar o conflito histórico como exemplo, o presidente afirmou que o Brasil prefere a paz, mas lembrou que o país vizinho acabou invadindo território brasileiro no século 19, mencionando também que a guerra se estendeu por cinco anos e envolveu outras nações da região.

A repercussão cresceu rapidamente entre parlamentares paraguaios. Já no fim de semana seguinte, o presidente da Câmara dos Deputados do Paraguai, Raúl Latorre, publicou nas redes sociais que Lula havia tratado com leveza demais a maior tragédia da história do país.

O presidente do Congresso, Basilio Nuñez, também divulgou nota afirmando que a fala provocou uma reação profunda no Paraguai, e destacou que preservar a memória da guerra é uma forma de defender a soberania e a identidade nacional paraguaia.

Outros parlamentares se somaram às críticas. O deputado Rubén Rubín acusou Lula de tentar distorcer a história, enquanto a senadora Esperanza Martínez classificou a fala como resquício de uma postura histórica de domínio sobre o Paraguai por parte da elite brasileira.

A tensão diplomática avançou nesta quinta-feira (30). O presidente paraguaio, Santiago Peña, telefonou pessoalmente para Lula após a repercussão, segundo o chanceler do Paraguai, Rubén Ramírez Lezcano.

O governo paraguaio também convocou o embaixador brasileiro em Assunção, José Antônio Marcondes de Carvalho, para uma reunião marcada para esta sexta-feira (31), quando deverá receber uma nota oficial do governo paraguaio sobre o caso.

O episódio se soma a uma sequência de atritos diplomáticos provocados por falas do presidente brasileiro desde o início do terceiro mandato, incluindo declarações sobre a guerra em Gaza, a invasão da Ucrânia e trocas recentes de farpas com o presidente argentino Javier Milei. Analistas ouvidos pela imprensa avaliam que Lula costuma abandonar o discurso preparado pelo Itamaraty e recorrer a analogias que reforçam sua base política interna, mesmo com risco de desgaste externo.

A discussão ocorre em um momento sensível para a relação entre os dois países, que negociam temas estratégicos como o uso do excedente de energia da Usina de Itaipu. A fronteira entre Foz do Iguaçu e Ciudad del Este, que depende do fluxo constante de comércio e turismo entre brasileiros e paraguaios, também é apontada como um ponto sensível à repercussão do episódio.



Lucas Oruam/FE com informações de Jovem Pan e Poder360

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