Diversos familiares de Lucineia Gomes Ribeiro, assassinada em junho passado em Mbaracayú, prestaram depoimento na última sexta-feira (5) em audiência preliminar perante a juíza Nimia Ávalos, do Tribunal de Garantia de San Alberto. Existem sérias suspeições acerca da autoria do crime, mas não houve acusação formal pelo promotor do caso, Fidel Godoy, da Procuradoria de Minga Porã.

Parentes na antessala dos depoimentos: Agonia para que justiça seja feita (Divulgação/FE)
A autópsia do corpo de Lucineia Gomes Ribeiro, confirmou que ela foi privada de sua liberdade por pelo menos cinco dias, durante os quais foi submetida a torturas brutais, incluindo espancamentos severos e a fratura quase total de sua mandíbula, antes de ser executada com um tiro na cabeça — com ferimento de saída — enquanto aparentemente estava ajoelhada e debilitada.
Após a descoberta do corpo, o promotor Fidel Godoy realizou uma busca na residência do companheiro da vítima em Mbaracayú, onde foram apreendidos uma espingarda calibre .22, munição, cartuchos de calibre .38 deflagrados, telefones celulares, um lençol com manchas suspeitas, um DVR de circuito fechado e um veículo Toyota Prêmio. O veículo teria sido usado pelo filho de Lucineia em 30 de maio de 2025 para transportá-la até Porto Índio.
De acordo com o histórico do caso, Sadi Antônio Vargas compareceu em 30 de maio de 2025 na 49ª subdelegacia de polícia da colônia de Porto Índio para registrar o desaparecimento de sua companheira.
Ele afirmou que por volta do meio-dia daquele mesmo dia, seu filho, Luís Gabriel Vargas, maior de idade, levou sua mãe em um Toyota Prêmio bordô até a alfândega do Porto Índio. Lá, ele supostamente a deixou para atravessar de balsa até Santa Helena, no Brasil, levando consigo 3 mil reais para pagar algumas despesas e outras contas básicas de uma casa que a família possui na cidade.
O denunciante (marido) afirmou que, posteriormente, perdeu contato telefônico com sua esposa, que nunca mais voltou para casa. A partir da queixa do marido, no outro dia foi encontrado o corpo semienterrado. Entre a história de terem levado ela para o porto e ser encontrado o corpo, se passaram pelo menos duas semanas. Nestas duas semanas, ninguém prestou queixa do desaparecimento.
Informações dão conta de que ela não atravessou o Lago de Itaipu naquele dia 30 de maio, pois não há registros oficiais sobre isso nas autoridades da aduana integrada no Brasil, em Santa Helena, o que levanta a suspeita que ela pode nem ter sido trazida até Porto Índio.
Outra coisa estranha é sobre o local onde o corpo foi desovado numa cova rasa… Próximo de propriedades da família na região de Mbaracayú, Alto Paraná, Paraguai.

Em primeiro plano, a irmã e o cunhado (Divulgação/FE)
Os depoimentos
Os depoimentos dos familiares não tiveram o teor divulgado pela Justiça do Paraguai, mas, segundo fontes, podem ser reveladores para que o caso seja encaminhado para uma solução e que se descubra quem fez ou mandou fazer a crueldade com Lucineia.
O depoimento de familiares, incluindo uma irmã e seu marido, cunhado da vítima, serviram para antecipação de provas.
Segundo a assistência jurídica contratada pela família, acredita-se que a partir destes depoimentos em juízo, poderão haver elementos suficientes para a imputação de culpabilidade a dois suspeitos de participação no crime brutal. Familiares clamam por justiça.


Local onde foi encontrado o corpo num domingo, dia 15 de junho. Na outra foto, Lucineia dirigindo (Fotos: Bombeiros K-7 de San Alberto e redes sociais)
Entenda o caso, lendo as matérias a partir deste link:Tribunal de Garantias PY entra no caso da mulher brasileira morta cruelmente em Mbaracayú


Juíza Nimia Ávalos e promotor Fidel Godoy (Divulgação/FE)
Elder Boff/Fonte Extra







