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Homenagens devem ser feitas aos vivos

Alexandre Garcia (Instagram)

Por André Becker*


Nesta semana, o Brasil se despediu do jornalista Renato Machado. Como acontece com frequência, sua partida foi seguida por justas homenagens, reportagens especiais e inúmeros reconhecimentos à sua brilhante trajetória profissional.

Ao acompanhar essas manifestações, uma pergunta tomou conta dos meus pensamentos: por que esperamos a morte para dizer às pessoas o quanto elas foram importantes?

Foi essa reflexão que me levou a escrever este artigo. Não para lamentar uma ausência, mas para reconhecer uma presença. Decidi prestar uma homenagem em vida ao jornalista Alexandre Garcia.

Não o conheço pessoalmente. Também não conheço toda a sua biografia nem sua vasta bibliografia. O que conheço é fruto de anos acompanhando seus comentários, análises e reflexões sobre os acontecimentos do Brasil e do mundo. E isso, por si só, já é suficiente para despertar meu respeito.

Independentemente de concordâncias ou divergências, há qualidades que merecem reconhecimento. Alexandre Garcia construiu uma trajetória marcada pela disciplina, pelo estudo, pela cultura, pela elegância na comunicação e pela impressionante capacidade de contextualizar os fatos. Sua forma erudita de se expressar revela domínio da língua portuguesa, profundo conhecimento da história e compromisso com o bom jornalismo.

Em tempos de discursos superficiais, manchetes instantâneas e opiniões muitas vezes moldadas pela velocidade das redes sociais, ouvir alguém que ainda dedica tempo para estudar, contextualizar e explicar os fatos tornou-se quase um privilégio.

Sua coerência talvez seja a qualidade que mais admiro. Ao longo de décadas, manteve um estilo próprio e uma identidade intelectual. Em um mundo em que tantos se deixam conduzir pelas conveniências do momento, permanecer fiel aos próprios princípios exige coragem.

Talvez Alexandre Garcia jamais leia estas linhas. Mas isso pouco importa.

Escrevo porque acredito que a gratidão precisa ser expressa enquanto as pessoas ainda podem ouvi-la. O reconhecimento sincero não deve esperar um velório, uma nota de pesar ou uma despedida definitiva.

Esta homenagem é dirigida a Alexandre Garcia, mas estende-se, com igual respeito, a tantos jornalistas que, longe dos grandes centros e dos holofotes, exercem diariamente sua missão com ética, coragem e compromisso com a verdade. Entre eles, registro também meu reconhecimento ao jornalista Elder Boff, que, por meio do Fonte Extra, mantém vivo um espaço para o debate de ideias, para a liberdade responsável de opinião e para a valorização do jornalismo regional.

O Brasil precisa de um jornalismo que volte a colocar a verdade acima dos interesses, os fatos acima das narrativas e a consciência acima da conveniência. O bom jornalista não é aquele que diz ao público apenas o que ele deseja ouvir, mas aquele que tem a coragem de dizer o que precisa ser dito, ainda que isso lhe custe críticas, incompreensões ou perseguições.

O jornalismo não nasceu para servir a governos, partidos, grupos econômicos ou ideologias. Nasceu para servir à sociedade. Sua matéria-prima não é a militância, mas a busca honesta da verdade, com responsabilidade, independência e compromisso com os fatos.

Que a trajetória de Alexandre Garcia inspire as novas gerações de jornalistas a estudarem mais, ouvirem mais, investigarem mais e escreverem com independência. Que nunca lhes falte coragem para questionar o poder, seja ele qual for, nem humildade para reconhecer um erro quando ele acontecer.

Ao jornalista Alexandre Garcia, minha sincera gratidão pela trajetória construída. Ao jornalista Elder Boff, meu reconhecimento por manter abertas as portas para a livre manifestação de ideias e para o exercício responsável do jornalismo.

E a todos aqueles que escolheram o jornalismo como missão, deixo um convite: que jamais lhes falte coragem para buscar a verdade, humildade para reconhecer os próprios equívocos e independência para servir à sociedade antes de servir a qualquer interesse.

Porque, como ensina a Sagrada Escritura:

“Como maçãs de ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo.” (Provérbios 25:11).

Talvez a maior lição que possamos aprender seja esta: a gratidão adiada transforma-se, muitas vezes, em arrependimento. As homenagens mais valiosas não são as que fazemos diante de um túmulo, mas aquelas que alcançam o coração de quem ainda pode ouvi-las.

Enquanto ainda há tempo: obrigado, Alexandre Garcia.






* André Lino Becker: Cidadão santa-helenense, defensor da fé cristã, da família e da sobriedade como caminho de restauração pessoal e social. Atuou como professor, bacharel em administração de empresas pela Unioeste e pós-graduado em gestão pública. Servidor público aposentado, foi dirigente sindical e líder comunitário atuando em pastorais. Atualmente é prestador de serviços na área da construção civil, como sócio-proprietário da Tecnobrocas.

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