Por Caio Gottlieb*
Não há insucesso quando o desastre é premeditado. O que há é um manual de instruções. Um roteiro bem ensaiado, escrito com o cinismo de quem aprendeu que o Estado brasileiro é grande o suficiente para caber um partido inteiro dentro dele.
A nova crise nos Correios — que deveria ser apenas mais um capítulo de incompetência administrativa — revela, na verdade, a lógica de um projeto de poder que se alimenta do próprio colapso que provoca. E a revista Veja, com coragem rara nestes tempos de linguagem pasteurizada, chamou as coisas pelo nome que têm: “O custo PT”. Lapidar. Simples e direto como um diagnóstico que o paciente finge não ouvir.
O custo do PT é o preço da insistência na ilusão de que empresa pública é curral, não instituição. São os 18,5 bilhões de reais de déficit acumulados pelas estatais federais desde o início do terceiro mandato de Lula. É o prejuízo que se multiplica nos Correios — a joia do caos — onde os números se deterioram na mesma velocidade em que se ampliam os cargos de confiança, as consultorias de ocasião e os favores travestidos de nomeações técnicas. “Nunca antes na história deste país”, diria o próprio Lula, foram as estatais tão mal dirigidas — de propósito.
Não se trata de má gestão, mas de má-fé. Não é o acaso, é o método. O governo converte o patrimônio público em instrumento eleitoral. O que deveria servir ao cidadão serve à militância; o que era para gerar eficiência, gera empregos para os convertidos. O déficit não é efeito colateral — é estratégia. O resultado é um Brasil que trabalha para sustentar um Estado que se especializou em falir.
Em um ano, os prejuízos dos Correios triplicaram. Outras estatais seguem a trilha. Desde que o PT voltou ao poder, foram quase trezentos novos cargos criados nas empresas federais, cuidadosamente distribuídos em nome de um projeto que se confunde com a própria estrutura do Estado.
Nada escapa à lógica do aparelhamento: até a usina binacional de Itaipu, que continua dando lucro — justamente por isso — virou vitrine de indicações políticas. Quatro ministros e uma secretária nacional do PT integram seu conselho de administração, cada um embolsando cerca de trinta e quatro mil reais por uma reunião a cada dois meses. É uma vaca de tetas generosas, ordenhada por mãos treinadas na arte do privilégio.
Dizer que as estatais foram “mal geridas” é um equívoco semântico. Ninguém erra tanto por tanto tempo. O desastre é um projeto de poder, não um tropeço administrativo. A destruição da eficiência é o oxigênio do controle. A empresa pública, aparelhada, vira uma célula do partido — e o país, inteiro, uma engrenagem eleitoral permanente. A cada déficit, um discurso de vitimização; a cada escândalo, uma narrativa sobre “golpes” e “elites”. É sempre o mesmo enredo: a incompetência serve de biombo para a conveniência.
Enquanto isso, o contribuinte paga a conta. A farra das nomeações, as consultorias inventadas, as mordomias oficiais — tudo financiado pelo país que trabalha. O mesmo país que vê escolas sem verba, hospitais sem médicos, estradas esburacadas, mas estatais lotadas de companheiros. Nenhuma surpresa: o fracasso planejado é politicamente mais rentável do que o sucesso técnico.
A Veja teve o mérito de tocar na ferida. Poucos veículos ainda se atrevem a dizer o óbvio: o PT no governo custa caro. Caríssimo. E não apenas em cifras, mas em dignidade nacional. O partido que prometia resgatar o Estado o sequestrou; o que dizia combater privilégios os institucionalizou; o que discursava em nome do povo o transformou em fiador da própria ineficiência.
Mas o Brasil é teimoso. Resiste aos seus predadores como quem sobrevive por ironia. A riqueza que sustenta esse país parece infinita — e talvez seja esse o nosso castigo: termos dinheiro suficiente para bancar os incompetentes e os espertos que vivem deles.
No fim, o que sobra é o retrato de uma nação saqueada com elegância e discursos. O Brasil é um país rico. Fosse pobre, nas mãos do lulopetismo já teria quebrado — e talvez fosse até melhor assim, porque ao menos restaria a chance de recomeçar do zero.

*Jornalista, publicitário, fundador e sócio-proprietário da Caio Publicidade, atua na TV Tarobá desde a sua fundação em 1979, conduzindo o programa de entrevistas Jogo Aberto.
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