Artistas anistiados no regime militar agora se opôem à anistia para os atos de 8 de janeiro. (Foto: Reprodução/Redes Sociais/X).
Vários artistas consagrados, beneficiados pela anistia da ditadura militar, se posicionaram publicamente contra a proposta de anistia para aqueles que participaram do 8 de janeiro de 2023.
Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque (todos anistiados pela Lei da Anistia de 1979, que permitiu retorno do exílio e extinção de processos políticos) integraram ato em Copacabana no domingo (21) para protestar contra o projeto de anistia atualmente em tramitação.
Políticos de direita reagiram imediatamento ao ato. Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que é contraditório quem foi anistiado no passado agora se opor à anistia para outros.
O grupo de manifestantes também usou o ato para criticar a chamada “PEC da Blindagem”, proposta que limita processos jurídicos contra parlamentares durante mandato.

Três anistiados cantando contra anistia de hoje… (Reprodução)
Em 1979 foram anistiados artistas, terroristas, baderneiros e simples críticos, como os cantores
A cena traz à tona o debate sobre a conveniência política da anistia: quando serve a determinados grupos, é considerada legítima; quando atinge o campo adversário, vira bandeira de combate.
A Lei da Anistia completou 46 anos em 2025. Quando assinou a histórica norma, em 28 de agosto de 1979, o presidente João Baptista Figueiredo concedeu o perdão aos perseguidos políticos (que a ditadura militar chamava de subversivos) e, dessa forma, pavimentou o caminho para a redemocratização do Brasil.

Cartaz que pedia anistia na década de 1970 (reprodução)
Foram anistiados tanto os que haviam pegado em armas contra o regime quanto os que simplesmente haviam feito críticas públicas aos militares. Graças à lei, exilados e banidos voltaram para o Brasil, clandestinos deixaram de se esconder da polícia, réus tiveram os processos nos tribunais militares anulados, presos foram libertados de presídios e delegacias.
O projeto que deu origem à Lei da Anistia foi redigido pela equipe do general Figueiredo. O Congresso Nacional o discutiu e aprovou em apenas três semanas.

Fonte Extra com Pedro Taquari/Diário do Poder/Agência Senado







