Por Elder Boff*
Não tem como não comparar a situação econômica da Argentina com o que acontece no Brasil depois de uma fala de Lionel Messi e a resposta de Javier Milei.
Nem me apego tanto aos números, quantidade de gente que está na total informalidade, subempregada e àqueles cobertos por sistemas de proteção social ad aeternum e que, com certeza estão fora do grupo dos considerados desempregados, mas quando se observa o atual presidente prometendo coisas que ele prometeu no primeiro mandato há quase duas décadas e que ainda não foi cumprido, alguma coisa que está errado, não está certo.
Lionel Messi gerou repercussão política na Argentina ao comentar a situação econômica do país recentemente, ainda após a vitória da seleção sobre a Inglaterra na semifinal da Copa do Mundo de 2026.
Em entrevista, o camisa 10 afirmou que o futebol representa um momento de alegria para muitos argentinos que enfrentam dificuldades no dia a dia. “Sabemos que há pessoas que estão passando por momentos difíceis, sem trabalho, sem conseguir chegar ao fim do mês ou lutando para sobreviver”, disse.
A declaração dividiu opiniões e motivou uma resposta oficial do governo de Javier Milei. Em comunicado, a gestão reconheceu que a fala de Messi reflete a realidade atual e afirmou que o cenário é consequência de “duas décadas de decadência kirchnerista”, argumentando que os problemas não poderiam ser solucionados em apenas 24 meses.
O governo também sustentou que a Argentina está em situação melhor do que há dois anos, embora tenha admitido que o país ainda enfrenta desafios e que as reformas econômicas em andamento exigem tempo para produzir resultados.
Ainda sobre nós, há pelo menos 20 anos a gente não evolui em quesitos básicos que melhorariam em muito a sociedade em que vivemos: As principais deficiências estruturais do Brasil, sem solução há décadas, incluem a desigualdade social extrema, a falta de saneamento básico, o sistema tributário regressivo, a baixa qualidade na educação pública, e a infraestrutura de transportes defasada. Esses gargalos emperram o desenvolvimento da nação que tem um dos maiores potenciais (viabilidade) do mundo.
O pior é quando há decadência. Tem muito estrago que demora anos para corrigir. Tenho dito em algumas ocasiões, inclusive em certa ocasião falei exatamente isso a um grupo de empresários brasileiros e paraguaios reunidos num evento em Cidade do Leste:
Tanto o Brasil, como o Paraguai, são países extremamente viáveis. Não precisamos de mandatários que façam milagres, que façam tudo. O mais importante, é que não atrapalhem!

* Elder Boff é articulista e editor-chefe do Fonte Extra







