Por Elder Boff*
Há sim uma similaridade entre o que se ausculta um ano, oito meses, seis meses antes de uma eleição e o resultado após a contagem dos votos. Mas nem sempre.
Diante do que se observou até agora, a maior parte da população é integrante do grupo “não estou nem aí”. Fato relevante foi mostrado pela Paraná Pesquisas em sua última sondagem com vistas à disputado pelo Palácio Iguaçu. Cerca de 75% da população ouvida, não faz nem ideia de forma espontânea, em quem votar para governador.
Quando os nomes são apresentados, desponta desde sempre o ex-juiz e atual senador pelo Paraná, Sérgio Moro, como o preferido, seguido por Requião Filho. Depois vem os menos cotados e por incrível que pareça, neste baixo clero extraído das sondagens, estão os candidatos do governador Ratinho Junior que aparecem com fraco desempenho.
Isso tudo soa como contradição ao índice de aprovação de Ratinho, mas demonstra que a estratégia de colocar seus nomes disponíveis em banho-maria, não funcionou, ninguém despontou e sim, há uma divisão que pode resultar em cisão do grupo.
Carlos Roberto Massa Júnior tem o foco na eleição nacional e deixa escorregar entre os dedos a possibilidade real fazer o sucessor, apesar da ótima avaliação de seu governo.
Mas, como o título sugere, as pesquisas apresentam uma situação do momento. Já aconteceram viradas históricas no Paraná mesmo.
Uma vez, não faz muito tempo, o arquiteto Jaime Lerner venceu uma eleição em apenas 12 dias.
A “eleição dos 12 dias” refere-se à surpreendente vitória de Jaime Lerner na eleição municipal de Curitiba. Foi em 1988, quando o radialista Algacir Tulio, desistiu de concorrer e virou vice.
Aqueles 12 dias, acabaram virando 12 anos. Quatro na prefeitura e oito anos no governo do Paraná.
Na eleição passada para o Senado, parecia que ninguém tiraria Alvaro Dias da Câmara Alta. Foi caindo, caindo e apareceu, apoiado pelo bolsonarismo, um até então desconhecido do povo, principalmente da região Oeste, Paulo Marques, que parecia que chegaria lá. Correndo por foram o Sérgio Moro que atropelou ambos e ganhou aquela eleição que só colocava um nome no Senado. Este ano são dois.
Então, em política, claro que as pesquisas dão um norte. Mas dizer, hoje, afirmar e principalmente, dar certeza como alguns fãs de Moro fazem nas mídias sociais, de que ele será o próximo governador, é meio arriscado. Faltando mais de meio ano para a eleição em si, não aconteceram nem as desincompatibilizações, muito menos as convenções. Vai ter candidato que não vai achar nem abrigo em sigla partidária para disputas em quaisquer níveis.
Tem muita água pra rolar debaixo desta ponte. Ainda tem muito chão vermelho pela frente e o cenário é incerto.

* Elder Boff é articulista e editor-chefe do Fonte Extra








