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Quem cita o citador? Acompanhe um resumo de outras abordagens do colunista Caio Gottlieb!

Por Caio Gottlieb*

Acostumado a mandar citar, intimar, bloquear perfis e determinar o cumprimento de ordens judiciais em velocidade recorde, o ministro Alexandre de Moraes agora experimenta a posição oposta no tabuleiro.

A Justiça Federal dos Estados Unidos autorizou que o magistrado do STF seja citado por e-mail em uma ação movida pela plataforma Rumble e pela Trump Media & Technology Group, empresa ligada ao presidente Donald Trump e responsável pela rede social Truth Social.

A ação questiona decisões atribuídas a Moraes envolvendo bloqueios de contas e conteúdos em redes sociais, sob o argumento de que teriam violado princípios ligados à liberdade de expressão e extrapolado fronteiras jurisdicionais.

Independentemente do desfecho jurídico, o episódio é simbólico. O debate brasileiro sobre redes sociais, que já ocupava as manchetes nacionais, atravessou fronteiras e desembarcou nos tribunais americanos.

O ministro que costuma encontrar qualquer perfil em qualquer canto da internet agora descobriu que localizá-lo também pode dar algum trabalho.

2 – O aeroporto que não para de crescer

Há muito tempo o Aeroporto Regional de Cascavel deixou de ser apenas uma estrutura de transporte para se transformar em um ativo estratégico do desenvolvimento regional.

Depois de passar por um amplo processo de modernização e conquistar reconhecimento nacional como um dos melhores aeroportos regionais do Brasil, o terminal acaba de receber a confirmação de novos investimentos de R$ 11,7 milhões viabilizados junto ao Governo do Paraná.

Os recursos serão aplicados na implantação de um moderno sistema de balizamento noturno em LED, nova sinalização operacional e ampliação da taxiway, permitindo a instalação de novos hangares e ampliando a capacidade de expansão futura.

Os investimentos chegam no momento em que o aeroporto vive seu melhor momento histórico. Em 2025, o terminal registrou 469.296 embarques e desembarques, um recorde absoluto e quase 15% acima do movimento do ano anterior.

Não é apenas um aeroporto crescendo. É uma região inteira ampliando sua conexão com o Brasil.

3 – O mercado está trocando a bandeira pela planilha?

A queda de aproximadamente 60% nos patrocínios da Parada Gay de São Paulo talvez diga mais sobre o momento vivido pelas grandes corporações do que sobre o próprio evento.

Durante boa parte da última década, agendas ligadas à diversidade, inclusão e ESG ganharam espaço crescente nas estratégias empresariais. Relatórios, campanhas institucionais, metas de representação e patrocínios passaram a ocupar posição central no discurso de muitas organizações.

Mas o ambiente corporativo global mudou.

Pressionadas por resultados, por investidores mais cautelosos e por um cenário político cada vez mais polarizado, diversas empresas começaram a revisar programas, reduzir investimentos e reavaliar iniciativas que, até pouco tempo atrás, pareciam intocáveis.

Não se trata necessariamente de uma rejeição às pautas de diversidade. Trata-se, antes, de uma mudança de prioridade. Em momentos de expansão econômica, empresas costumam abraçar causas. Em períodos de maior pressão por desempenho, voltam a olhar com mais atenção para custos, retorno e percepção de mercado, onde os deploráveis exibicionismos do movimento LGBT ganham rejeição crescente.

A queda dos investimentos publicitários na Parada pode ser apenas um reflexo local de um fenômeno global: o recuo do ativismo corporativo e o retorno de uma velha máxima do capitalismo.

No fim das contas, a planilha costuma ter vida mais longa do que os discursos.

4 – A Copa que ainda não aconteceu

Faltando poucos dias para o início da Copa do Mundo, hotéis, operadores turísticos e investidores americanos começam a demonstrar certa inquietação.

As reservas estão abaixo das expectativas em diversas cidades que receberão partidas do torneio, frustrando projeções feitas quando os Estados Unidos conquistaram o direito de sediar a competição ao lado de Canadá e México.

Parte da explicação pode estar na cultura esportiva local. Embora o futebol tenha crescido nos últimos anos, ele ainda está longe de ocupar o espaço do futebol americano, do basquete, do beisebol ou até do hóquei na preferência dos americanos.

Por isso, cresce entre empresários do setor turístico a percepção de que o grande evento capaz de transformar efetivamente o fluxo de visitantes talvez não seja a Copa, mas sim os Jogos Olímpicos de Los Angeles em 2028.

A Copa chega primeiro. Mas, para muita gente, a verdadeira aposta continua sendo a Olimpíada.

5 – A nova fronteira dos brasileiros

Durante décadas, milhões de brasileiros atravessaram a Ponte da Amizade em busca de eletrônicos, perfumes e produtos importados.

Agora começam a atravessá-la em busca de apartamentos, terrenos e investimentos.

Uma incorporadora paraguaia decidiu apostar justamente nesse novo movimento, promovendo empreendimentos voltados ao público brasileiro e apresentando o país vizinho como alternativa para quem busca diversificar patrimônio ou mesmo estabelecer residência.

A mudança revela algo interessante. O Paraguai deixou de ser visto apenas como destino de compras para passar a ser enxergado também como ambiente de negócios.

Carga tributária mais baixa, energia barata, crescimento econômico consistente e regras mais simples para empreender ajudam a explicar o fenômeno.

Há alguns anos, a ideia de brasileiros atravessarem a fronteira para investir no Paraguai pareceria exótica. Hoje, para um número crescente de pessoas, parece apenas racional.

Durante muito tempo atravessávamos a fronteira para comprar produtos. Agora há quem esteja atravessando para comprar futuro.

6 – Direita procura partido, partido procura rumo

Em entrevista ao podcast do colega José Roberto Benjamin, a jornalista Cristina Graeml fez uma observação que ajuda a compreender um dos dilemas da política brasileira contemporânea. Segundo ela, o Brasil possui lideranças, movimentos e eleitores identificados com a direita, mas ainda carece de partidos com identidade ideológica sólida e duradoura.

A análise ultrapassa a disputa eleitoral de 2026. Ela expõe uma fragilidade histórica do sistema partidário brasileiro, onde legendas frequentemente alteram posicionamentos, alianças e discursos conforme as conveniências do momento.

Nas entrelinhas, Cristina também deixou escapar um cálculo político compreensível. Embora continue defendendo uma candidatura ao Senado, sinalizou que uma eventual composição como vice de Sandro Alex na disputa pelo Palácio Iguaçu pode representar um caminho mais seguro para permanecer competitiva no tabuleiro eleitoral.

Agora integrada ao grupo político do governador Ratinho Junior, ela foi a grande revelação nas eleições municipais de 2024 quando chegou muito perto de conquistar a prefeitura de Curitiba.

7 – A Justiça tem memória

Em agosto de 2000, um Boeing 727 da Vasp decolou de Foz do Iguaçu rumo a Curitiba e acabou protagonizando um dos episódios mais ousados da história da aviação brasileira.

A aeronave foi sequestrada e desviada para Porecatu, no Norte do Paraná. No solo, os criminosos retiraram nove malotes do Banco do Brasil contendo cerca de R$ 5,5 milhões em espécie e desapareceram.

Parecia o crime perfeito.

Mas, 26 anos depois, a história ganhou um novo capítulo. Gerson Palermo, apontado como líder da operação e também conhecido pelos apelidos de Pigmeu e Germano, foi localizado e preso em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia.

Condenado a mais de um século de prisão em diferentes processos e apontado como liderança do PCC em Mato Grosso, Palermo agora deverá ser extraditado para o Brasil.

A Justiça pode ser lenta. Mas, de vez em quando, surpreende pela memória.

8 – O eleitor artificial

Uma pesquisa revelou que 63% dos entrevistados cogitam recorrer à inteligência artificial para auxiliar na escolha de candidatos nas próximas eleições.

O dado chama atenção porque revela uma mudança silenciosa no comportamento político. Durante décadas, o eleitor buscou orientação em familiares, líderes religiosos, sindicatos, jornais, comentaristas ou figuras de referência em sua comunidade.

Agora surge um novo conselheiro.

A inteligência artificial promete reunir informações, comparar propostas, resumir trajetórias e organizar argumentos em poucos segundos. O problema é que ela também pode reproduzir vieses, informações incompletas ou interpretações equivocadas, dependendo das fontes utilizadas.

O futuro talvez reserve uma cena curiosa: milhões de brasileiros pedindo conselhos eleitorais à mesma tecnologia que hoje recomenda restaurantes, monta roteiros de viagem e revisa textos.

Os cabos eleitorais do século XXI talvez não distribuam santinhos nem empunhem bandeiras.

Provavelmente funcionarão por algoritmos. E talvez não seja de todo uma má ideia: vai que propiciem escolhas mais acertadas?

9 – A fábrica de empregos

A visita do governador Ratinho Junior à nova unidade da Cooperativa Lar em São José das Palmeiras revelou algo que vai muito além dos R$ 90 milhões investidos ou dos empregos que serão gerados pelo empreendimento.

O que está por trás da obra é uma das mais inteligentes estratégias de desenvolvimento regional adotadas pelo Paraná nos últimos anos.

Por meio do programa Rota do Progresso, o Estado passou a estimular empresas a direcionarem investimentos para municípios com os menores índices de desenvolvimento humano do Paraná. Em vez de concentrar novos empreendimentos nos polos já consolidados, a lógica é levar indústria, renda e oportunidades justamente para as cidades que mais precisam delas.

A Lar enxergou o potencial do programa e transformou São José das Palmeiras em uma peça estratégica de sua cadeia produtiva. O primeiro núcleo já está em operação. Outros virão. Ao final do projeto, serão mais de R$ 150 milhões investidos, cerca de 200 empregos diretos e uma capacidade anual superior a 1,3 milhão de aves recriadas.

Mais do que construir aviários, o programa busca construir uma nova geografia do desenvolvimento paranaense.

Durante décadas, o poder público concentrou incentivos onde o crescimento já existia. A ideia agora é fazer o crescimento chegar onde ele ainda não chegou.

10 – A soberania que já foi perdida

A decisão do governo dos Estados Unidos de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas e grupos criminosos transnacionais provocou reações no Brasil. Entre elas, o argumento de que o tema envolve questões de soberania nacional.

Mas talvez a pergunta mais desconfortável seja outra.

Que soberania é essa que o Estado brasileiro exerce em territórios controlados por facções? Que soberania existe quando organizações criminosas impõem regras próprias em comunidades inteiras, controlam rotas internacionais de tráfico, extorquem comerciantes, influenciam a vida cotidiana de milhões de pessoas e expandem suas operações para países vizinhos, Europa e Estados Unidos?

O anúncio americano não surgiu do nada. É consequência direta do crescimento de grupos que deixaram de ser um problema exclusivamente policial para se transformar em organizações com atuação internacional, movimentação financeira sofisticada e influência além das fronteiras brasileiras.

O debate não deveria começar pela reação à decisão americana.

Deveria começar por uma constatação mais simples: o crime organizado brasileiro, estimulado principalmente pela leniência com que as gestões petistas encararam o problema em suas duas décadas de governo, alcançou um grau de poder e capilaridade que nenhum país sério deveria considerar aceitável.

Quando uma facção criminosa conquista relevância internacional, isso não representa uma derrota diplomática.

Representa, antes de tudo, uma derrota do próprio Estado.

11 – O país que sabota os próprios negócios

Uma reportagem do Estadão trouxe de volta uma constatação que o Brasil insiste em ignorar: mesmo sendo uma das dez maiores economias do planeta, o País continua figurando entre os ambientes menos atraentes para fazer negócios.

O levantamento cita estudos internacionais que colocam o Brasil nas últimas posições em critérios como segurança jurídica, complexidade tributária, ambiente regulatório e facilidade para empreender. Em alguns rankings, o País aparece atrás de nações com economias muito menores e mercados infinitamente menos relevantes.

O paradoxo é conhecido. O Brasil reúne praticamente tudo aquilo que investidores costumam procurar: mercado consumidor robusto, agronegócio altamente competitivo, abundância de recursos naturais, sistema financeiro sofisticado e uma posição geográfica privilegiada.

O problema nunca foi a falta de oportunidades.

O problema é o percurso entre a oportunidade e o resultado.

Burocracia excessiva, insegurança jurídica, lentidão regulatória e um dos sistemas tributários mais complexos do mundo continuam impondo custos adicionais a quem produz, investe, emprega e empreende.

Em muitos países, abrir uma empresa é apenas uma etapa do negócio. No Brasil, frequentemente parece uma prova de resistência.

O empreendedor brasileiro não enfrenta apenas a concorrência. Enfrenta também formulários, licenças, obrigações acessórias, interpretações contraditórias e um emaranhado de regras capaz de transformar até a mais promissora oportunidade em um exercício de paciência.

O Brasil continua sendo um país extraordinário para gerar riqueza.

Pena que insiste em dificultar a vida de quem tenta produzi-la.




*Caio Gottlieb: Jornalista e publicitário, fundador e diretor da Agência Caio. Apresentador do programa Conexão Tarobá, na TV Tarobá (afiliada Bandeirantes). Um espaço de opinião, bastidores e análise sem filtro.

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