Ratinho Junior (PSD) desistiu de concorrer à Presidência da República nas eleições de 2026 e afirmou que vai concluir o mandato de governador do Paraná. A decisão foi tomada no domingo (22) e comunicada ao presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, nesta segunda-feira (23).
Segundo a Gazeta do Povo, desde o ano passado, o governador do Paraná era considerado o favorito dentro do PSD para a corrida presidencial. As filiações dos governadores do Rio Grande do Sul e de Goiás, Eduardo Leite e Ronaldo Caiado, respectivamente, criaram uma espécie de disputa interna e que seria decidida não em convenção, mas diretamente pelos líderes da sigla.
Alguns caciques do PSD já davam como certa a candidatura de Ratinho Junior. O catarinense Jorge Bornhausen, por exemplo, havia afirmado que essa seria a decisão. “Ficou ajustado que no dia 25 de março será anunciado o nome do Ratinho Junior”, falou na semana passada.
Decisão de Ratinho Junior pegou base aliada de surpresa
A decisão de Ratinho Junior vai na contramão do que ele vinha falando nas últimas semanas, de que se desincompatibilizaria do cargo de governador até a data limite de 4 de abril. Caso não fosse o escolhido pelo PSD, ele estava disposto a deixar o cargo para trabalhar pelo presidenciável e também na campanha estadual.
Tanto que os deputados estaduais da base de apoio do governo Ratinho Junior foram pegos de surpresa com o anúncio da desistência do líder paranaense. Nesta segunda-feira, os parlamentares almoçaram com o governador no Palácio Iguaçu, sede do Executivo do estado, para se despedir de Ratinho Junior. Durante a cerimônia, o governador confirmou que deixaria o cargo para o vice-governador Darci Piana (PSD-PR).
O clima era de euforia entre os deputados estaduais do PSD e de outros partidos aliados com a expectativa de lançamento da candidatura de Ratinho Junior, na próxima quarta-feira (25).
Segundo deputados da base ouvidos pela Gazeta do Povo, o movimento indica que o governador irá privilegiar a tentativa de fazer um sucessor no Palácio Iguaçu, ao abrir mão do projeto nacional. Ou seja, ele deve percorrer o estado na tentativa de transferência de votos para o escolhido do PSD, com a alta aprovação do eleitorado paranaense como principal trunfo, na avaliação dos aliados.
A decisão ocorreu após o principal concorrente ao governo estadual, o pré-candidato Sergio Moro firmar uma aliança com o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O ex-juiz da Lava Jato se filia ao PL nesta terça-feira (24) e deve contar com o apoio do Novo, um dos partidos que integram a base do governo paranaense.
Ratinho Junior trabalhava unicamente com a possibilidade da Presidência da República. O Senado Federal nunca entrou na conta. Por isso mesmo ele insistiu em uma candidatura a presidente. E como cabeça-de-chapa. Em momento algum cogitou ser candidato a vice. Neste mês, ele chegou a ser convidado para compor a chapa de Flávio Bolsonaro na posição de vice, mas recusou o convite.
Ratinho Junior criticou a polarização para se colocar como candidato
Ratinho Junior não escondeu de ninguém o desejo de ser presidente da República. Ele falou em algumas oportunidades sobre isso. No entanto, em momento algum quis cravar que seria candidato nas eleições deste ano. A estratégia dele sempre foi se esquivar, mas ao mesmo tempo trabalhar nos bastidores e sentir o terreno.
Ele colecionou viagens, reuniões e entrevistas no ano passado e no início de 2026. A ideia foi se apresentar ao eleitorado de fora do Paraná e amplificar os pensamentos dele para o Brasil. E, assim, azeitar o caminho para uma eventual campanha neste ano.
O discurso mais enfático de Ratinho Junior, e que ganhou tração no mercado financeiro, foi sobre o fim da polarização entre Lula e a família Bolsonaro. Segundo ele, isso não faz bem ao Brasil e evita que o país tome um caminho de desenvolvimento e crescimento.
“Eu me considero normal porque ninguém aguenta mais essa briga. Hoje, 70% da população não aguenta mais a polarização. O Brasil precisa de paz institucional, todo mundo precisa calçar as sandálias da humildade, fazer um planejamento de médio e longo prazo, coisa que hoje não temos”, afirmou no ano passado em entrevista ao podcast Inteligência Ltda.
Com esse discurso, Ratinho Junior passou a ser visto como uma terceira via, especialmente porque ele mesmo se posiciona como um político de centro-direita, apesar de ter rechaçado a ideia de ser uma alternativa. “Não me apresento como terceira via. Vou me apresentar como o candidato da direita democrática, da direita cidadã, com um projeto político que busca tornar a máquina pública mais eficiente, sem deixar de cuidar dos mais humildes”, disse em entrevista ao Poder 360.
Nota de Ratinho Junior sobre a desistência de concorrer a presidente
O governador Ratinho Junior decidiu concluir seu mandato no Paraná até dezembro deste ano. Portanto, ele deixa de participar da discussão interna do PSD (Partido Social Democrático), que escolherá um candidato disposto a concorrer às eleições presidenciais deste ano. A decisão foi tomada na noite deste domingo, 22, após profunda reflexão com sua família. O fato foi levado ao conhecimento do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, nesta segunda, 23.
Ratinho está convicto que deve manter o compromisso selado com os paranaenses nas eleições de 2018 e não pode interromper o projeto que tem garantido o ciclo de crescimento econômico do Paraná. Sob a gestão de Ratinho Junior, que alcançou 85% de aprovação, o Estado se consolidou como a melhor educação do Brasil, obteve os menores índices criminais dos últimos 20 anos, o maior investimento em infraestrutura da história, e conquistou, por quatro vezes consecutivas, a excelência em sustentabilidade no Brasil.
O governador do Paraná continuará à disposição do PSD para ajudar o Brasil virar a página do atraso, criar perspectivas mais otimistas para os jovens, ser destravado com menos burocracia, endurecimento de leis criminais e tenha o agronegócio brasileiro como trunfo na competição global entre nações.
Eleito com quase 70% dos votos válidos em 2022, Ratinho permanecerá pautando a sua vida para ajudar o Brasil a partir do Paraná, ao defender um estado menor e mais eficiente, que tem a educação como instrumento para melhorar a vida de jovens e apostando na pacificação e no diálogo como alicerces do Estado Democrático de Direito.
Carlos Massa Ratinho Júnior nasceu numa família humilde em Jandaia do Sul. Mudou para Curitiba ainda criança, onde o pai chegou desempregado na década de 80. A trajetória simples do governador permitiu que ele jamais fosse contaminado pelas benesses do Poder.
Ao encerrar em dezembro essa fase de sua vida, Ratinho Júnior pretende voltar ao setor privado e presidir o Grupo de Comunicação criado pelo pai, o apresentador Ratinho.
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