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Tensão em P. Índio (áudio): Moradores vão arrancar cerca à força, caso proprietários não liberem para asfalto

(Reprodução de Diário La Clave/Gemini)

Uma disputa territorial de pequenas proporções está gerando um impasse com grande impacto econômico na fronteira entre o Brasil e o Paraguai. A obra do trecho asfáltico de cerca de 60 quilômetros que liga a antiga supercarretera (Ruta PY 07) até Puerto Índio, no município paraguaio de Mbaracayú, encontra-se travada em sua reta final.

O entrave ocorre em um trecho crucial de aproximadamente um quilômetro, onde proprietários de uma área se recusam a recuar uma cerca de poucos metros para liberar a faixa de domínio da rodovia.

A resistência desses ocupantes contrasta com a postura de dezenas de outros moradores e pequenos produtores da região. Diversas famílias humildes já cederam voluntariamente os recuos necessários em suas propriedades para permitir a passagem do maquinário e a pavimentação. O impasse gerou a indignação de lideranças comunitárias e políticas locais, como o vereador Willberto Blanco, que concedeu declarações contundentes ao portal Fonte Extra e estabeleceu um prazo de 24 horas para que o espaço seja desocupado de forma voluntária, sob o risco de a própria comunidade intervir para remover o obstáculo.

Autodeclaração de alguns aspectos do pedaço de terra em questão, conseguida no Indert por Blanco. (Reprodução)



O caso ganha contornos ainda mais emblemáticos e controversos devido à destinação do terreno envolvido no conflito. Trata-se de uma área vinculada ao Instituto Nacional de Desarrollo Rural y de la Tierra (INDERT), órgão governamental destinado estritamente à reforma agrária e ao assentamento de famílias camponesas.

No entanto, segundo denúncias das lideranças de Mbaracayú, o local está sendo explorado comercialmente como um porto de areia privado. A atividade desvia a propriedade de sua função social e legal para favorecer interesses particulares em detrimento do interesse coletivo da infraestrutura regional.

“É inaceitável que um investimento dessa magnitude, aguardado por anos por toda a população, fique paralisado por causa de interesses particulares em uma área pública do INDERT. Já demos o aviso: os proprietários têm 24 horas para recuar essa cerca. Se as autoridades não agirem ou eles não liberarem a faixa de domínio, o próprio povo vai se unir e fazer a remoção por conta própria. Não vamos permitir que um porto de areia privado desvie a função da terra da reforma agrária e continue travando o desenvolvimento do nosso município.”

Willberto Blanco, vereador de Mbaracayú (em áudio enviado ao Fonte Extra)


A paralisação deste trecho estratégico afeta diretamente a logística e o crescimento socioeconômico das comunidades em ambas as margens do Lago de Itaipu. No lado brasileiro, a conclusão do asfalto até Porto Índio é aguardada com grande expectativa pelo município de Santa Helena, que conta com a estrutura do Porto Internacional para dinamizar o comércio exterior, o escoamento da produção agrícola e o turismo binacional. A travessia de balsa entre Santa Helena e Porto Índio perde competitividade e fluidez com a rodovia inacabada, atrasando planos de expansão econômica integrada.

Sem a desobstrução imediata da faixa de rodagem, o impasse ameaça adiar indefinidamente os benefícios de uma obra estruturante para o Alto Paraná e o Oeste paranaense. A expectativa agora gira em torno das próximas horas para saber se os ocupantes acatarão o ultimato das lideranças locais ou se haverá intervenção comunitária e judicial para garantir o livre trânsito e o avanço da pavimentação.

O “Diário La Clave”, fez uma reportagem no local e estampou manchete em suas redes sociais a respeito da situação:


“O avanço da pavimentação asfáltica da rodovia PY21 em Mbaracayú está paralisado em um dos trechos, pois o proprietário de uma pedreira vizinha se opõe à continuidade da obra. Ele se recusa a ceder alguns metros de um terreno que ocupa — e que pertence ao INDERT —, impedindo assim que a rodovia chegue à sua reta final”.

A redação do Fonte Extra perguntou via WhatsApp a Odilo Hermes, da família proprietária do terreno em questão, avô da proprietária, a respeito do tema e aguardava o posicionamento para ampliar a matéria e divulgar o contraditório.

Em contato, Hermes disse que se espera a indenização, pois onde passa a estrada é terreno dele, adquirido junto aos antigos proprietários e está documentado na INDERT e pelo que disse, não aceita a imposição do prazo de 24h para liberar o trecho necessário para a conclusão do asfalto.

Trecho paralisado, cerca que precisa ser retirada e movimento portuário. (Reprodução de Diário La Clave)







Elder Boff com inf. Diário La Clave

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