Por Zelinda Balen Dakmer*
A obrigatoriedade de ensino trouxe para a escola todas as crianças de 6 a 17 anos, do Fundamental ao Médio. Desde a Emenda Constitucional 59/2009, em vigor a partir de 2016, a educação obrigatória passou a abranger dos 4 aos 17 anos, aumentando em 2 anos o tempo obrigatório. Em casos de evasão injustificada, o Conselho Tutelar pode ser acionado.
Na prática, isso significa que uma pessoa em idade escolar é obrigada a permanecer na escola por 11 anos.
Nos tempos anteriores à obrigatoriedade, as pessoas permaneciam muito menos na escola, e quando saiam, possuíam um conhecimento que lhes garantia habilidades de realizar as quatro operações matemáticas, resolver problemas incluindo juros e porcentagem, além de ler e compreender textos.
Meu avô, Luiz Basso, frequentou a escola por apenas dois anos, entre 1907 e 1908, e, ao sair dela, sabia a tabuada de cor, resolvia problemas envolvendo as quatro operações matemáticas, além de equações sobre juros e porcentagem, indispensáveis para ter uma certa autonomia, além de ler e compreender o texto. Se vivo estivesse, poderia ensinar crianças do ensino primário. Ele foi meu primeiro professor antes de minha incursão à escola.
Levando-se em conta que não existia transporte para tal, para chegar à escola, meu avô tinha que percorrer quilômetros a pé, enfrentando sol, chuva e geadas, muito frequentes no inverno de Guaporé/RS, onde meu ele viveu a sua infância. O tempo era dividido entre ir à escola e ajudar os pais do plantio até a colheita de produtos, principalmente de subsistência.
Como explicar que uma pessoa nessas condições tenha apreendido, em dois anos, muito mais do que as crianças de hoje, com transporte escolar, merenda, bolsa família, material didático, internet, enfim, todas as regalias e facilidades oferecidas aos estudantes? O investimento para o ensino aumentou, mas o rendimento diminuiu! A que se deve isso? Certamente ao novo modelo de organização escolar!
A partir de 1980, após a redemocratização, as ideias de Paulo Freire começam a entrar gradualmente na educação básica e no ensino fundamental. A Pedagogia Freiriana embasou os debates pedagógicos e a formação de professores.
Algumas das características do Método Freiriano consistem em: “compreender mais e decorar menos”, “o professor deixar de ser o transmissor de conhecimentos”. Na prática, esse método visava suprimir a autoridade do professor e dos pais, inclusive da autoridade religiosa, e abolir toda a disciplina.
Como ocorre o aprendizado?
De acordo com a neurociência, a concentração é fundamental para a aquisição de conhecimento. Mas, num espaço onde a autoridade do professor foi suprimida e a disciplina (no contexto da boa educação) abolida, a concentração se torna inviável. A repetição, também citada pejorativamente como “decoreba”, é necessária para que o conteúdo visto na aula, fique registrado na mente, ou no subconsciente.
O método de Paulo Freire estimula os alunos a serem críticos, ativos, e a não aceitar tudo passivamente. Mas, Olavo de Carvalho, influente escritor e ensaista, diz que “fazer críticas em cima de uma linha de conteúdo é o mesmo que fazer a digestão sem alimentos – desenvolve uma gastrite”.
Então, para não desenvolver uma “gastrite mental”, é necessário se apropriar de muito conhecimento antes de participar de qualquer debate. A memorização, a “decoreba”, tão criticada pela pedagogia freiriana, é indispensável para quem quer se apropriar do conhecimento.
No ranking da ONU, o Brasil ocupa o 132º lugar entre 193 Nações. Observa-se essa posição após 46 anos da aplicação do Método Freiriano no ensino fundamental e médio. O fator mais preocupante é que além de ocupar uma posição baixa no ranking mundial, o ensino formal traz resultados práticos na organização da sociedade, que no caso brasileiro, não são desejáveis.
Embora na teoria, o ensino formal tenha por lema o desenvolvimento dos indivíduos para que sejam cidadãos autônomos, capazes de prover o seu sustento quando adultos, na prática temos uma grande parcela da população dependente do Bolsa Família. Outra parcela de dependentes químicos, a corrupção tomando conta das instituições e o erro sendo normalizado, ou seja, o ensino formal não atendeu ao objetivo alardeado ou apregoado.
Na medida em que a autoridade dos pais e professores foi sendo suprimida, os valores cristãos que eram repassados por estes, foram sendo substituídos por uma militância enganosa que foi tomando conta até ser normalizada.
Com esses dados, podemos concluir que a Educação no Brasil não está visando desenvolver a autonomia dos indivíduos, mas implantando uma ideologia que atenda aos interesses de um sistema anticristão e opressor!
A tomada de consciência se faz necessária e é urgente, sob pena de virarmos uma ditadura institucionalizada. Cabe aos educadores se posicionar e mudar o rumo da Educação brasileira.

*Zelinda Balen Dakmer é professora aposentada pelo estado do Paraná. Professora particular de inglês e italiano. Estudiosa de psicologia positiva, PNL e filosofia.







