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O mundo perdeu o freio moral?

O falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein, em foto divulgada pelo Departamento de Justiça dos EUA. (Foto: Divulgação/Departamento de Justiça dos EUA)

Por André Becker*



O que está acontecendo com a humanidade? Em pleno século XXI, cercada por avanços tecnológicos e discursos de progresso, o que se percebe é uma perigosa regressão moral. O mal deixou de causar espanto, a violência passou a ser relativizada e a omissão virou regra. A civilização avança em ferramentas, mas recua em consciência.

A Bíblia ensina que Sodoma e Gomorra não foram destruídas apenas por pecados individuais, mas por uma degradação coletiva. O profeta Ezequiel é direto: “Eis que esta foi a iniquidade de Sodoma: soberba, fartura de pão e despreocupação; mas nunca amparou o pobre e o necessitado” (Ez 16:49). O colapso começou quando a indiferença se tornou normal.

Crianças abandonadas, consciência anestesiada

Casos de exploração sexual de mulheres jovens e, sobretudo, de crianças, continuam surgindo em diferentes partes do mundo. Redes criminosas, abusos sistemáticos e práticas que ferem qualquer noção de humanidade são frequentemente tratados com descrédito, silêncio ou conveniência política.

No Brasil, denúncias feitas anos atrás envolvendo a Ilha de Marajó expuseram uma realidade brutal. Em vez de uma resposta firme do Estado e da sociedade, assistiu-se à ridicularização pública e à perseguição de quem denunciou. O recado foi claro: enfrentar estruturas de poder pode ser mais perigoso do que tolerar o crime. Enquanto isso, milhares de crianças desaparecem anualmente, muitas vítimas de violência extrema, sem indignação proporcional.


O cristianismo recua, a crueldade avança


O cristianismo, que historicamente sustentou a defesa da dignidade humana, da infância e dos mais frágeis, vem sendo empurrado para a margem. Seus valores são rotulados como retrógrados, enquanto um sistema frio, utilitarista e desumanizado ganha espaço.

Quando a fé que ensinava “deixai vir a mim os pequeninos” perde voz, abre-se caminho para uma lógica perversa, onde crianças deixam de ser protegidas e passam a ser relativizadas. Jesus foi taxativo ao advertir que quem escandaliza um pequeno incorre em grave juízo (Mt 18:6). Ignorar isso não é progresso — é barbárie institucionalizada.


Poder sem limites e geopolítica sem alma

No cenário internacional, o mesmo padrão se repete. Conflitos se prolongam, territórios são cobiçados e nações poderosas se movem não por justiça, mas por domínio. A corrida pela inteligência artificial e pelo controle estratégico substitui qualquer preocupação humanitária real.

O profeta Ezequiel advertiu que impérios movidos pela soberba, pela violência e pela ânsia de poder, cairiam, incluindo a antiga Pérsia, (atual Irã ), (Ez 38–39). A história insiste em confirmar essa verdade: quando Deus é removido do centro, o poder se transforma em tirania.

A criação reage à desordem humana

Catástrofes ambientais se acumulam em escala global. Enchentes históricas, eventos climáticos extremos e fenômenos antes raros tornaram-se frequentes. O Evangelho alerta que haveria sinais — não para espalhar pânico, mas para despertar consciência (Mt 24:7). A criação geme quando o ser humano rompe todos os limites, como lembra o apóstolo Paulo (Rm 8:22).

O alerta que não pode ser ignorado

Talvez não seja ainda o fim do mundo. Mas é, sem dúvida, o retrato de uma humanidade que repete perigosamente os mesmos caminhos que levaram outras civilizações à ruína. A Bíblia, a história e a realidade convergem numa mesma advertência: quem não conhece a história e o passado está fadado a cometer os mesmos erros. Deus não destruiu Sodoma de imediato; antes, houve alertas, clamores e oportunidades de arrependimento.

As sociedades não colapsam de um dia para o outro — elas apodrecem por dentro, quando a verdade é relativizada, a infância é desprotegida e a justiça é negociada. Ainda há tempo de mudar o rumo. Mas, como ensina a Escritura, o juízo começa quando o silêncio se torna cumplicidade.




* André Becker atuou como professor, bacharel em administração de empresas pela Unioeste e pós-graduado em gestão pública. Servidor público aposentado, foi dirigente sindical e líder comunitário atuando em pastorais. Atualmente é prestador de serviços na área da construção civil, como sócio-proprietário da Tecnobrocas.

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