João Tupã Naravy Centurião, um dos indígenas mais velhos do Brasil, que residia atualmente numa aldeia em São Miguel do Iguaçu, faleceu ontem, quarta-feira (18), aos 105 anos de idade.
O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) Regional Sul manifestou seu mais profundo pesar e sua solidariedade ao povo Avá-Guarani pela partida de Tupã Naravy.
Nascido em 1920, no coração do Yvy Mbyté, ele foi testemunha ocular da transformação da mata em deserto verde e do Rio Paraná em um imenso lago. Viu sua terra ser tomada e sua família forçada ao exílio, mas nunca permitiu que o silêncio substituísse a sua voz, anunciou o Cimi.
Como o trovão que carrega em seu nome, João enfrentou gigantes. Liderou seu povo como cacique entre 1984 e 1988, na linha de frente contra as injustiças causadas pela Itaipu Binacional, e foi um guardião incansável dos roçados e das sementes, reafirmando que a terra é vida e sustento, mesmo quando restava apenas um pequeno pedaço dela.
Seu legado transcende a luta territorial. Aos 102 anos, ao ingressar na escola, João Tupã Naravy ensinou às novas gerações que o conhecimento do “outro” é uma arma de defesa que deve ser empunhada sem que se perca a própria essência. Sua imagem escrevendo o próprio nome na lousa permanece como um símbolo eterno de que a resistência não tem idade.
“Neste momento de despedida, o Cimi Sul agradece a honra do convívio e o privilégio de ter caminhado ao lado de uma liderança tão sábia e acolhedora. Sua alegria, sua bicicleta percorrendo os caminhos do Tekoha Ocoy e sua memória firme na busca por reparação histórica continuarão a guiar os passos de todos aqueles que lutam pela justiça e pelos direitos indígenas”, finalizou uma nota publicada pelo Conselho Indigenista Missionário.

Aos 102 anos aprendeu a escrever seu nome. (Foto: Cimi/Sul)
Aqui estão os destaques resumidos sobre sua trajetória:
Resistência e História: João Centurião foi testemunha de profundas violências contra seu povo, incluindo a expulsão de suas terras, tendo vivido no Paraguai antes de retornar ao Tekoha Ocoy (Santa Helena, PR).
Liderança: Atuou como cacique entre 1984 e 1988, liderando a comunidade na luta por direitos e pela reparação histórica frente à Itaipu Binacional.
Exemplo de Vida: Aos 102 anos, em 2022, iniciou seus estudos na Educação de Jovens e Adultos (EJA) na Escola Indígena Teko Nemoingo, demonstrando grande vontade de aprender.
Hábitos: Era conhecido por gostar de andar de bicicleta, mesmo em idade avançada, e por ser um agricultor experiente.
Falecimento: Sua morte foi lamentada pela Comissão Guarani Yvyrupa e pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), que destacaram seu papel como “centelha de resistência” Avá-Guarani.

TUPÃ NARAVY (à esquerda) e Vicente Vogado na manifestação pela devolução da terra, quando da vinda da Missão do Banco Mundial a pedido da comunidade Guarani. São Miguel do Iguaçu. (Foto: Cimi Sul)
Elder Boff com inf. Cimi/Comissão Guarani Yvyrupa e F.E.I.A. (Fonte Extra Inteligência Artificial)








