A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT-PR), volta ao Paraná neste fim de semana com agendas em Santa Helena, Ponta Grossa e Curitiba, num roteiro de entregas e anúncios que tem carimbo institucional, mas também evidente sentido eleitoral às vésperas de sua saída do governo federal.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) fixou 4 de abril como marco dos prazos de desincompatibilização para parte dos ocupantes de cargos públicos que disputarão as eleições de 2026, e a própria ministra já confirmou que deixará a pasta em 31 de março para concorrer ao Senado.
O PT de Santa Helena não divulgou qualquer informação acerca da visita da ilustre representante do Paraná no primeiro escalão do governo, que provavelmente será pela manhã e na praia, sem horário anunciado. Se for provocado, o Google só mostra a informação do jornalista Esmael Moraes, de que Gleisi Hoffman estará em Santa Helena nesta sexta-feira (20).
O timing pesa e a eleição já chega
Pesquisa IRG divulgada nesta quinta-feira (19), registrada no TSE sob o número PR-02737/2026, mostrou Deltan Dallagnol (Novo) com 19,5%, Alvaro Dias (MDB) com 17,5% e Gleisi com 16% na primeira opção de voto ao Senado. Como a margem de erro é de 3,1 pontos percentuais, os três aparecem tecnicamente embolados. No segundo voto, porém, a petista cai para 5,1%, bem abaixo de Alvaro, Deltan, Filipe Barros e Alexandre Curi, sinal de que sua batalha imediata é ampliar capilaridade e transformar visibilidade de governo em voto mais consolidado numa disputa de duas cadeiras.
Por outro lado, a situação eleitoral de Deltan continua sob forte dúvida jurídica. A briga de verdade, no entanto, ficará para depois das convenções, entre 19 de julho e 5 de agosto, e para a fase de registro das candidaturas, que vai até 15 de agosto, quando os partidos poderão contestar o nome do ex-deputado cassado.
Segundo a programação obtida pelo Blog do Esmael, Gleisi abre o giro na sexta-feira (20), em Santa Helena, acompanhando a apresentação dos projetos “Esporte e Cultura: Mais que Energia” e “Mais IDEB nos Municípios Lindeiros 2026”.
À tarde, segue para Ponta Grossa e no sábado, em Curitiba, a ministra participa da entrega de 240 apartamentos do Residencial Theo Aterino, no Tatuquara. O conjunto já vinha sendo preparado para entrega neste mês, segundo a Prefeitura de Curitiba, e se tornou uma vitrine social importante numa capital em que moradia popular, periferia e presença territorial do governo federal voltaram ao centro da disputa política.
Não é agenda isolada. Na semana passada, Gleisi já havia participado em Curitiba do anúncio de medidas do programa Agora Tem Especialistas para o Paraná, com ambulâncias do SAMU, kits cirúrgicos e equipamentos para unidades básicas de saúde.
Antes disso, no Palácio do Planalto, esteve ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no anúncio de R$ 2,08 bilhões em investimentos federais em infraestrutura de transportes no estado, incluindo obras ligadas ao Porto de Paranaguá, ao Aeroporto Regional de Maringá, ao Contorno Sul Metropolitano e à Estrada Boiadeira.
Na prática, Gleisi tenta fazer uma transição sem vazio entre a função de articuladora do Planalto e o papel de candidata competitiva no Paraná. Em vez de largar a corrida pelo Senado só no discurso ideológico, escolhe entrar em abril carregando ambulância, UBS, policlínica e moradia no currículo imediato. É uma estratégia clara: ocupar o terreno em que o lulismo costuma respirar melhor, o da entrega palpável, antes de enfrentar uma direita que larga com nomes conhecidos, recall alto e musculatura regional.
Resta saber se esse esforço virará também segunda opção de voto e lastro mais sólido numa disputa ainda aberta. Por ora, Gleisi entra na reta da desincompatibilização tentando converter a máquina de entregas em capital eleitoral, num Paraná em que o Senado segue sem dono e com espaço real para rearranjo.
Gleisi ficou mais conhecida nacionalmente com a Lava-Jato, depois anulada por outro paranaense, Edson Fachin
Os apelidos de Gleisi Hoffmann registrados nas planilhas do departamento de propinas da Odebrecht, no âmbito da Operação Lava Jato, eram “Amante” e “Coxa”. Esses codinomes apareceram em documentos apreendidos com executivos da empreiteira, associando a atual presidente do PT a repasses de recursos. Recentemente, surgiu um apelido maldoso inventado por petistas desgostosos, chamado “Odete Hoffmann”, conforme o Lauro Jardim/O Globo.
Gleisi Hoffmann foi absolvida de todas as acusações no âmbito da Operação Lava Jato pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Em 2018, a Segunda Turma do STF considerou que não havia provas concretas, apenas delações premiadas, para condená-la por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, arquivando o caso por falta de justa causa.
Lula teve condenações anuladas por ministro do STF, paranaense que Dilma indicou
Dois anos depois da absolvição de Gleisi, em março de 2021, o ministro Edson Fachin, do STF, indicado da sucessora de Lula, Dilma Rousseff, anulou as condenações proferidas pela 13ª Vara Federal de Curitiba (casos Triplex do Guarujá e Sítio de Atibaia).
O STF considerou que o juízo de Curitiba não era competente (foros competentes) para julgar esses casos, já que os fatos investigados não estavam diretamente ligados à Petrobras.
Posteriormente, a Segunda Turma do STF declarou a suspeição do ex-juiz Sergio Moro, hoje candidato fortíssimo ao governo do Paraná, considerando que ele foi parcial na condução do processo do triplex.
Com a anulação, os processos foram remetidos para a Justiça Federal em São Paulo e Brasília, mas acabaram prescrevendo devido ao decurso de prazo, sem uma nova condenação ou absolvição de mérito nessas ações específicas.
Elder Boff com inf. Esmael Moraes e F.E.I.A. (Fonte Extra Inteligência Artificial)








