Por Caio Gottlieb*
Vencido pela curiosidade, resolvi assistir O Agente Secreto. Tenho ranço com filme nacional. São raros os que valem a pela ver. Preparei-me esperando o pior. E não me enganei.
Patriotismo à parte, o filme é ruim. A cinematografia brasileira já fez coisa bem melhor.
Para começo de conversa, o título escolhido pelo diretor Kleber Mendonça Filho promete um filme que simplesmente não está ali.
Não deixa de ser curioso: uma produção que chega com selo de prestígio internacional, embalada por uma milionária e eficiente campanha publicitária que lhe rendeu indicações ao Oscar (e saiu, merecidamente, de mãos abanando), cercado por esse halo de “obra importante”, e que, ao fim, deixa uma sensação muito mais modesta — quando não frustrante.
Há um enredo, sim, há uma ambientação construída com cuidado, há intenção estética. Mas falta aquilo que o cinema não substitui com conceito: envolvimento, densidade dramática, conexão.
O título, em especial, intriga — não pelo mistério, mas pela ausência de sentido.
Quem é, afinal, o tal agente secreto?
Não há, no desenvolvimento da narrativa, nada que sustente essa promessa de forma concreta.
Pode-se argumentar que se trata de uma metáfora, de uma alegoria, de uma ideia difusa sobre sistemas, sombras e vigilâncias.
Pode-se argumentar muita coisa.
Mas quando o espectador precisa fazer esse esforço todo para justificar o título, talvez o problema não esteja no espectador.
Há, também, uma sensação recorrente em relação a Wagner Moura. Não pela falta de talento — isso seria injusto —, mas pela familiaridade excessiva.
Seu personagem parece ecoar outros tantos já vistos, como se habitasse sempre a mesma frequência emocional, a mesma cadência, o mesmo repertório de gestos, os mesmos cacoetes.
Não é um problema exclusivo deste filme, mas aqui ele se torna mais visível, talvez porque o roteiro não ofereça camadas suficientes para que algo realmente novo emerja.
E então chega o desfecho da história — ou melhor, o não-desfecho. Um anticlímax que não surpreende, não provoca, não desloca.
Apenas encerra, como quem apaga a luz de um ambiente que já estava meio às escuras.
Há quem veja nisso sofisticação. Há quem veja coerência estética. Mas também há quem veja apenas uma oportunidade perdida.
No fim das contas, O Agente Secreto talvez seja isso: um filme que opera mais no campo da expectativa do que da entrega.
Incensado pela militância esquerdista (afinal, Kleber e Wagner são garotos-propaganda do governo Lula), o projeto circula bem, se posiciona bem, se vende bem — e que, por isso mesmo, chega maior do que é.
O agente secreto, em suma , talvez seja o próprio filme: esconde-se atrás de uma ideia — e nunca se revela por inteiro.
Se você ainda não assistiu, não perca seu tempo. Quem avisa amigo é.

*Caio Gottlieb: Jornalista e publicitário, fundador e diretor da Agência Caio. Apresentador do programa Conexão Tarobá, na TV Tarobá. Um espaço de opinião, bastidores e análise sem filtro.








