Por Elder Boff*
A reedição de mandato petista expõe cenário desastroso na economia, promove fechamento de empresas e demissões em massa. Especialistas entendem que mais uma vitória lulista, colocará o país definitivamente na bancarrota.
Numa breve pesquisa em sites especializados em economia e negócios, a amostra de um cenário recente do mercado corporativo no Brasil, que tem sido marcado por fortes reestruturações, pedido de falências e encerramento de operações em diversos setores econômicos. O ambiente com juros elevados, custos operacionais altos e concorrência digital pressionou desde grandes redes varejistas até gigantes industriais e de tecnologia.
No varejo tradicional, gigantes como o Grupo Casas Bahia e a Americanas implementaram planos severos de enxugamento para tentar estancar prejuízos acumulados. Isso resultou no fechamento definitivo de dezenas de lojas físicas pelo país e no desligamento de milhares de colaboradores diretos ao longo dos últimos meses.
O setor industrial e o comércio de grande porte no Sul e Sudeste também registraram abalos históricos, com empresas centenárias declarando falência. Casos expressivos, como a tradicional Azevedo Bento e a fabricante Martau Ventiladores no Rio Grande do Sul, encerraram suas atividades pressionados por gargalos logísticos e endividamento.
As startups e empresas do ecossistema de tecnologia continuam a promover demissões em massa (“layoffs”) para ajustar os custos à nova realidade de crédito escasso. A rápida automação e a substituição de funções por ferramentas de inteligência artificial vêm sendo apontadas como estopim adicional para o encerramento de cargos na área.
No total, mais de 2 milhões de CNPJs no país atingiram níveis recordes de inadimplência, culminando no encerramento de negócios de pequeno e médio porte. O segmento de Serviços e do varejo de proximidade foi o mais afetado, impactando drasticamente os índices globais de empregabilidade formal do mercado nacional.
A Gerdau, maior empresa siderúrgica do país, tem realizado cortes expressivos de postos de trabalho e reestruturações operacionais em várias de suas unidades no Brasil. O movimento é motivado, principalmente, pela forte concorrência com a entrada do aço chinês a preços baixos no mercado nacional e pela necessidade de otimização de ativos industriais.
Em movimento estratégico acentuado, a Gerdau confirmou o desligamento de cerca de 1.500 trabalhadores no Brasil. As reduções afetaram de forma expressiva unidades industriais em São Paulo (como Pindamonhangaba e Mogi das Cruzes) e Minas Gerais, além de levarem à revisão e redução dos investimentos projetados para o mercado interno.
Na fábrica Açonorte, no Recife (PE), a empresa paralisou integralmente as atividades de aciaria e laminação, gerando a demissão direta de cerca de 160 funcionários. A unidade passou a focar apenas na fabricação de produtos trefilados (como arames e telas), mantendo 450 postos de trabalho remanescentes.
Segundo a executiva da Gerdau, o ritmo de retomada de contratações ou de ampliação de capacidade produtiva no país dependerá da adoção de medidas efetivas de proteção e defesa comercial contra a sobreoferta de aço importado.
Para proteger a indústria e o comércio nacional e evitar demissões em massa e falências, especialistas do setor apontam diversas medidas que o governo federal poderia adotar ou intensificar.
Uma das principais reclamações de setores como o siderúrgico e o têxtil é a demora em taxar adequadamente a superprodução estrangeira — em especial o aço chinês —, que entra no Brasil com preços subsidiados contra os quais a indústria local não consegue competir.
A elevada complexidade e o custo dos impostos no país encarecem a produção nacional (o chamado “Custo Brasil”), tirando a competitividade das empresas em comparação com os produtos importados.
Altas taxas de juros sufocam o caixa das empresas e inviabilizam novos investimentos. O governo poderia atuar para criar linhas de financiamento de longo prazo mais acessíveis para indústrias e redes varejistas em reestruturação.
A morosidade em processos regulatórios, licenças e custos trabalhistas rígidos dificulta o ajuste rápido das companhias às mudanças de mercado, desestimulando a manutenção de empregos formais.
O Estado poderia priorizar insumos fabricados internamente em obras de infraestrutura e contratos governamentais, garantindo demanda estável para a indústria do país.

* Elder Boff é articulista e editor-chefe do Fonte Extra







