Elder Boff*
Por mais que todos os candidatos se utilizem da retórica da defesa da agricultura e pecuária, todos os candidatos ao governo do Paraná nas eleições deste ano, são pessoas urbanas, não se desenvolveram no meio rural, são piás de apartamento.
Se colocar os vices junto, também. Entre os seis principais postulantes à governador e vice, uns tiveram convivência mais interiorana, mas em grandes núcleos urbanos.
Sandro Alex é de família de comunicadores, formado em direito. Seu vice, Rafael Greca é uma pessoa de cidade, que apesar de discorrer sobre as entranhas do Paraná, nunca sujou uma botina.
Requião Filho é, como o próprio nome diz, herdeiro político de outra família urbana e de tradição política. Advogado, conhece o chão vermelho pelas andanças como deputado. Michele Caputo, seu vice, é farmacêutico, acho que nunca pegou no cabo de uma enxada.
Sergio Moro é filho de professores maringaenses. Outro que foi criado e consolidou estudos e vida profissional nas cidades. Seu vice, Edson Vasconcelos é o que dá pra se dizer que cheirou mais terra. Do Oeste, cresceu em Cascavel, das regiões e municípios mais ligados à agricultura do Paraná, mas é também um cidadão urbano.
Mas tudo isso, é só constatação e até uma lógica, pois a população Urbana é de 89% (10.179.847 habitantes) e a rural, 11% (1.264.533 habitantes).
Há uma diferença entre “interior” e rural. Se analisarmos as candidaturas sob este contexto, vamos dizer que quase todos os candidatos envolvidos no pleito para o governo do Paraná, são do interior.
Maringá, Ponta Grossa e Cascavel fazem parte do contexto das cidades do interior e têm juntas, quatro dos que disputam a eleição. Curitiba, tem dois.

* Elder Boff é articulista e editor-chefe do Fonte Extra







