Uma corrida contra o tempo levou Azuil Gomes Teotonio, de Foz do Iguaçu, a percorrer mais de 600 quilômetros de avião e helicóptero até chegar ao Hospital Angelina Caron, em Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba. O objetivo era conseguir chegar a tempo para realizar um transplante de fígado, depois que um órgão captado em Maringá foi destinado a ele.
Azuil estava na fila de transplantes desde 2025 e recebeu a ligação no dia 24 de agosto informando que havia chegado o momento de realizar o procedimento. O fígado, que inicialmente seria destinado a outro paciente, não pôde ser utilizado para o primeiro receptor e acabou sendo direcionado para Azuil. A partir daí, a família precisou organizar rapidamente a viagem até Curitiba.
O paciente embarcou em um voo comercial em Foz do Iguaçu com destino ao Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais. O problema era o deslocamento entre o aeroporto e o hospital, já que o trajeto de carro poderia levar cerca de 40 minutos, dependendo do trânsito, e Azuil precisava chegar praticamente no mesmo horário do desembarque do voo para não comprometer o transplante.
Diante da situação, a família procurou a Diretoria de Urgência e Emergência de Foz do Iguaçu (Diue) em busca de ajuda para fazer o transporte. “Entrei em contato com um enfermeiro, pedindo ajuda para viabilizar o transporte do meu tio do aeroporto até o hospital. Ele prontamente nos atendeu e conseguiu viabilizar o transporte por helicóptero”, contou Michele Luciana Weber Pignataro Teotonio, sobrinha do paciente.
A solicitação passou pela Coordenação de Urgência e Emergência do Paraná e chegou ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) Curitiba, que articulou o transporte aeromédico em conjunto com o Núcleo de Operações Aéreas da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Assim que desembarcou no Aeroporto Afonso Pena, Azuil foi levado de helicóptero da PRF até o Hospital Angelina Caron, onde a equipe médica já aguardava para realizar o procedimento.
“Quando a rede de urgência é acionada e todos os recursos trabalham em sintonia, cada minuto se transforma em esperança, garantindo que o paciente chegue com segurança ao tratamento cirúrgico”, afirmou Jayme Carriello, diretor de Urgência e Emergência de Foz do Iguaçu.
Quando a cirurgia começou, o fígado estava há aproximadamente sete horas fora do corpo do doador. A equipe do Hospital Angelina Caron conseguiu concluir o transplante em 2 horas e 38 minutos, com Azuil apresentando boa evolução após o procedimento.
Segundo João Eduardo Leal Nicoluzzi, coordenador do Serviço de Transplantes do hospital, a rapidez foi importante para que o procedimento fosse realizado dentro das condições necessárias. “Precisávamos realizar o transplante com muita agilidade e segurança. Conseguimos concluir a cirurgia graças à experiência da equipe, à estrutura do hospital e a uma mobilização que começou muito antes do paciente entrar no centro cirúrgico”, explicou o médico.
A recuperação também ocorreu de forma positiva. Azuil recebeu alta seis dias após o transplante e agora segue em acompanhamento médico. De acordo com a filha, Juliana Teotonio Keller, ele está bem e continua realizando os cuidados necessários durante o período de recuperação.
“Ele está bem, está se recuperando e fazendo todo o acompanhamento pós-transplante agora”, relatou Juliana.
A viagem que começou em Foz do Iguaçu e passou por um voo comercial e um transporte de helicóptero foi decisiva para que Azuil chegasse ao hospital dentro do prazo necessário. A mobilização envolveu familiares, equipes de emergência, Samu e PRF até que o paciente finalmente pudesse entrar no centro cirúrgico e receber o novo fígado.
Lucas Oruam/FE






