A popularização de medicamentos à base de semaglutida, como o Ozempic e as novas canetas emagrecedoras recentemente aprovadas pela Anvisa, tem levantado dúvidas sobre a necessidade da cirurgia bariátrica. Segundo especialistas ouvidos pela Folha de S. Paulo, porém, o procedimento cirúrgico continua sendo a alternativa mais indicada para determinados perfis de pacientes, especialmente aqueles com obesidade grave ou comorbidades associadas.
Médicos apontam que a bariátrica tende a apresentar resultados mais duradouros justamente por promover uma alteração anatômica permanente no sistema digestivo, enquanto os efeitos das canetas emagrecedoras dependem do uso contínuo do medicamento. Interromper o tratamento medicamentoso, segundo os especialistas, frequentemente leva à recuperação do peso perdido em um período relativamente curto, o que exige o uso indefinido da medicação para manter os resultados.
Além do critério clínico, o custo também entra na equação: o tratamento medicamentoso contínuo pode se tornar mais caro no longo prazo do que uma cirurgia realizada uma única vez, especialmente para pacientes que dependeriam da caneta por anos. Ainda assim, a cirurgia bariátrica envolve riscos cirúrgicos e um período de recuperação que nem todo paciente está apto a enfrentar.
A escolha entre as duas abordagens deve ser feita em conjunto com uma equipe médica multidisciplinar, considerando o grau de obesidade, o histórico de saúde, comorbidades e a preferência do próprio paciente. Nenhuma das opções substitui o acompanhamento profissional individualizado nem deve ser adotada sem orientação médica.
Lucas Oruam/FE com informações da Folha de S.Paulo.






