Morreu nesta terça-feira (8), em Curitiba, o ex-deputado estadual e pastor Gernote Gilberto Kirinus, aos 78 anos. Ele estava internado no Hospital Evangélico Mackenzie.
O corpo é velado na Capela Vaticano, na Sala Esmeralda, e a cerimônia de cremação está agendada para esta quarta-feira (9), às 16h30, no Crematório Vaticano, em Almirante Tamandaré.
Vinculado à Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), Kirinus construiu uma trajetória profundamente marcada pela união entre a fé e o engajamento social.

Sua atuação ganhou forte expressão na região Oeste do Paraná a partir da segunda metade da década de 1970, período em que exerceu liderança na Comissão Pastoral da Terra (CPT) e esteve à frente da militância em prol dos camponeses, agricultores e agricultoras atingidos pela construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu.

Kirinus, deputado em 1980, era retratado por sua luta na questão fundiária. Foto dele está no rodapé à direita. (PDF de Jornal Correio do Notícias de Curitiba, edição de 14 de março de 1980. Acervo da Fundação Biblioteca Nacional)
Base política expressiva no Oeste e atuação pelo MDB/PMDB
Foi no contexto das intensas mobilizações sociais do campo que Gernote Kirinus projetou sua carreira política. Filiado ao MDB (e posteriormente PMDB), ele canalizou o descontentamento e as demandas dos agricultores desapropriados pelas obras da barragem de Itaipu, exigindo indenizações justas e reassentamentos para as famílias atingidas.
Com grande apelo popular e consolidação de uma expressiva votação no Oeste paranaense — destacando-se como uma das lideranças mais votadas em municípios cruciais para a causa, como Santa Helena, junto à liderança do então prefeito Julio Morandi e a região leste do reservatório —, Kirinus foi eleito para a Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP).
Ele cumpriu três mandatos consecutivos como deputado estadual entre 1979 e 1990 (1979-1982, 1983-1986 e 1987-1990). Durante sua trajetória no Parlamento Paranaense, ganhou forte destaque técnico e articulador, chegando a ocupar a 1ª Secretaria da Assembleia Legislativa no ano de 1983.
Sua morte representa a perda de um dos personagens históricos da transição democrática no campo paranaense e da resistência dos trabalhadores rurais do Oeste do Estado.

Gernote à época dos anos 1980 (reprodução)
Elder Boff/FE com inf. Wikipedia, G+ e Unisinos






