Não deu 24 horas. Um dia depois de o Fonte Extra mostrar a fila de caminhões presos no trecho de São Roque, em Santa Helena, a cena se repetiu. Nesta sexta-feira (2), vários caminhões não conseguiram vencer a subida em um dos pontos mais críticos da estrada que liga Santa Helena a Ramilândia e ficaram parados novamente, por causa das condições da via.
A estrada foi prometida para outubro de 2025 pelo então secretário de Infraestrutura, Sandro Alex. Um ano depois, o que existe é um trecho inacabado, com buracos, desvios mal sinalizados e poeira, e caminhoneiros que não conseguem passar.
Relatos que chegaram à redação indicam que um dos responsáveis pela interrupção da obra teria ameaçado os caminhoneiros de acionar a polícia para que fossem multados por permanecerem no local, mesmo diante da dificuldade de seguir viagem. Se confirmada, a atitude beira o deboche: motoristas presos numa estrada que não conseguem vencer e ainda ameaçados de punição por isso.
O Fonte Extra já havia apontado a atuação negativa de pessoas que se intitulam lideranças e de alguns poucos lindeiros que recorreram à Justiça contra os orçamentos indenizatórios e ajudaram a travar a obra. Essa minoria, com uma postura individualista, afeta hoje toda a região.
Tudo o que era possível fazer pela iniciativa privada, pela prefeitura, pela maioria dos lindeiros de Santa Helena e pelos proprietários e autoridades de Missal e Diamante do Oeste, também envolvidos, foi feito. O investimento é de cerca de R$ 20 milhões, com recursos garantidos pela Itaipu Binacional e projeto custeado pela Cooperativa Lar. A medição divulgada em outubro de 2025 apontava 76,32% de execução.
Mesmo que a disputa judicial explique parte do atraso, a responsabilidade de resolver o impasse e entregar a obra é do Governo do Estado, que assumiu licitar, fiscalizar e executar. Já são três ocorrências recentes no mesmo trecho, uma delas com ônibus escolar, e agora dois dias seguidos de caminhões presos, sem nenhuma previsão de solução.
Quem paga a conta são caminhoneiros, agricultores e empresas que precisam escoar a produção e famílias que dependem do transporte escolar. A esperança de um povo que esperou tanto por essa ligação asfáltica foi suspensa pela burocracia e pela falta de ação do Estado.
Esse cenário dificilmente passará impune pela memória coletiva. A conta desse descaso, que hoje se paga em veículos destruídos e vidas em risco, pode ser cobrada pela população nas urnas.
Leia também:
Lucas Oruam/FE com inf. Correio do Lago






