Por André Becker*
Um chamado à lucidez e à união antes que a política destrua nossas famílias
Há momentos em que precisamos parar, olhar ao redor e perguntar: que país estamos deixando para nossos filhos e netos?
Confesso que estou preocupado.
Não apenas com um governo, um partido ou um candidato. Estou preocupado com os rumos do Brasil e, sobretudo, com a possibilidade de que a disputa pelo poder esteja se sobrepondo ao próprio país.
O poder, numa democracia, deveria ser instrumento de serviço. Nunca propriedade, muito menos algo a ser mantido a qualquer custo.
É por isso que defendo um princípio vital para qualquer nação saudável: a alternância no poder.
Quando um grupo permanece tempo demais no comando, cresce o risco de confundir Estado com governo, partido com interesse público. E quem deveria estar no centro — o cidadão — acaba em segundo plano.
Um exemplo recente merece reflexão.
O governo federal reajustou o Bolsa Família para R$ 691, com início em 19 de outubro. Dias depois, o calendário foi antecipado, concentrando os pagamentos até 21 de outubro, bem na véspera do segundo turno.
Não estou dizendo que o benefício não seja necessário. É necessário, e milhões dependem dele.
A questão é: medidas executadas tão perto de uma eleição não deveriam despertar questionamentos e exigir máxima transparência?
Faço questão de ser justo: em 2022, o governo Bolsonaro fez o mesmo com o Auxílio Brasil. O princípio vale para todos. Se questionávamos ontem, devemos questionar hoje e sempre.
Não podemos ter dois pesos e duas medidas.
O problema surge quando aceitamos práticas erradas apenas por virem do nosso grupo político. Isso não é democracia.
Democracia exige coragem para reconhecer erros, seja de quem for.
Também me preocupa a direção econômica e ideológica do país. Não podemos tratar a história como teoria acadêmica abstrata.
A Alemanha dividida durante a Guerra Fria — entre o livre mercado ocidental e o planejamento estatal oriental — provou que o estatismo extremo gera pobreza e opressão.
O Brasil não precisa repetir experiências que já custaram caro à humanidade.
Há, ainda, a relação entre política e corrupção.
Escândalos como o Mensalão e a Lava Jato envolveram diferentes correntes. Investigação não é condenação, mas não podemos apagar a memória do que o país descobriu.
Cada real desviado sai da saúde, da educação e da segurança de quem mais precisa.
Não quero um Brasil governado pelo medo, pelo fanatismo ou pela submissão a líderes.
Quero um país onde ninguém esteja acima da lei, onde o Supremo Tribunal Federal seja respeitado, mas questionado quando necessário. Um Congresso atuante e um Executivo que governe para todos.
Precisamos recuperar a capacidade de pensar.
Não podemos entregar nossa consciência a partidos ou ideologias. Precisamos analisar resultados e comparar discursos com atitudes.
Mas algo é ainda mais urgente: precisamos recuperar a capacidade de conviver.
O Brasil está fraturado por discursos de ódio. A intolerância política transformou divergências em inimizades.
Isso chegou à minha própria família.
Precisamos compreender que pensar diferente não nos torna inimigos.
Nenhuma eleição vale a perda de uma família. Nenhum partido vale a ruptura de uma amizade.
A desconfiança nas instituições e no processo eleitoral também precisa ser tratada com seriedade e transparência, jamais com desprezo.
A democracia exige confiança.
Propostas legítimas de auditabilidade e impressão do voto devem ser debatidas sem histeria. Cabe ao cidadão respeitar o resultado das urnas dentro de regras claras.
A eleição passa. Daqui a quatro anos tem outra.
Quem ganha governa para todos; quem perde fiscaliza e prepara o terreno para o próximo pleito.
A mudança real começa na consciência de que nenhum político é dono do Brasil.
Por isso, faço um apelo à paz, à serenidade e à reflexão.
Que as famílias voltem a se encontrar e os amigos possam conversar sem rancor.
Que o resultado das urnas seja respeitado e continuemos sendo um só povo.
Ao cidadão brasileiro, deixo um lembrete final: analise, questione e escolha com a própria consciência.
Porque governos passam, mas a nossa pátria permanece.
QUE BRASIL QUEREMOS DEIXAR PARA AS PRÓXIMAS GERAÇÕES?
Que Deus abençoe o Brasil e nos permita reencontrar o caminho do respeito, da liberdade e da esperança.

* André Lino Becker: Cidadão santa-helenense, defensor da fé cristã, da família e da sobriedade como caminho de restauração pessoal e social. Atuou como professor, bacharel em administração de empresas pela Unioeste e pós-graduado em gestão pública. Servidor público aposentado, foi dirigente sindical e líder comunitário atuando em pastorais. Atualmente é prestador de serviços na área da construção civil, como sócio-proprietário da Tecnobrocas.






