Os Estados Unidos anunciaram na quarta-feira (21) um acordo para instalar no Paraguai um centro de processamento de dados voltado à inteligência artificial, abastecido com energia da hidrelétrica de Itaipu. O projeto é da empresa americana Crusoe, em parceria com a paraguaia Araico, e foi divulgado pelo Departamento de Estado durante a visita do vice-secretário de Estado, Christopher Landau, a Assunção. A operação deve começar em 2027 e atender clientes de serviços em nuvem dos Estados Unidos e da América Latina.
Segundo o que foi tornado público, a Administração Nacional de Eletricidade (Ande), dona da metade paraguaia de Itaipu, fornecerá a energia a US$ 48 o megawatt, com reajuste anual atrelado à inflação dos EUA e revisão especial da tarifa a cada dois anos. Na primeira etapa, o centro deve chegar a 106 megawatts de capacidade e, quando concluído, a 280 megawatts. Itaipu tem capacidade instalada de 14 mil megawatts. O governo americano não divulgou o valor do investimento, mas disse que o projeto pode ser um dos maiores investimentos privados da história do Paraguai.
O que é um data center
Um data center, ou centro de dados, é uma estrutura com milhares de computadores potentes que armazenam e processam informações 24 horas por dia. É ali que funcionam serviços de nuvem, aplicativos, redes sociais e, cada vez mais, os sistemas de inteligência artificial. Esse tipo de instalação consome muita energia, tanto para manter os equipamentos ligados quanto para resfriá-los, e precisa de fornecimento constante, sem quedas. Por isso, usinas como Itaipu, que geram energia hidrelétrica renovável e em grande escala, são atrativas para empresas do setor.

Reflexos no Brasil
Itaipu pertence aos dois países, e pelo tratado de 1973 cada um tem direito a metade da produção. A energia que um país não usa pode ser comprada pelo outro, e é aí que está a preocupação. Com a renegociação do Anexo C do tratado, o Paraguai busca mais autonomia para vender a própria parcela. Se parte da energia que poderia ir para o Brasil passar a abastecer grandes instalações do lado paraguaio, a oferta para o sistema brasileiro pode diminuir, o que pode pesar nos custos de energia e na competitividade da indústria paranaense. O impacto, porém, depende do volume contratado e das condições do fornecimento, que ainda não foram divulgados.
Os municípios paranaenses que recebem royalties de Itaipu também estão no debate. Como os repasses seguem critérios próprios de geração e compensação, o anúncio do data center, por si só, não reduz os valores. Eventuais mudanças dependeriam de alterações nas regras ou nos parâmetros de pagamento.
Lucas Oruam/FE com informações de Poder360






