O Paraná fechou 2025 com 8% de distorção idade-série no Ensino Médio, metade da média nacional, que é de 16%. O dado consta no Anuário Brasileiro da Educação Básica 2026 e considera as redes públicas e privadas. O indicador mede a proporção de estudantes com pelo menos dois anos de atraso em relação à série esperada para a idade. Em 2015, a taxa no Estado era de 21,1%, o que representa uma queda de 13,1 pontos percentuais em dez anos.
A evasão também recuou de forma expressiva. A taxa de abandono no Ensino Médio paranaense passou de 7,7% para 0,3% no mesmo período, o que indica que menos alunos interrompem os estudos durante o ano letivo. Os outros indicadores de fluxo seguiram o mesmo caminho: a aprovação subiu de 81,4% para 98,2%, enquanto a reprovação caiu de 10,9% para 1,5%. Para o diretor de Educação da Secretaria de Estado da Educação (Seed-PR), Anderfábio Oliveira, os números mostram avanço na permanência e na progressão dos estudantes, e o trabalho da rede é acompanhar cada jovem e agir quando surgem dificuldades.
Para quem já está em atraso, a rede estadual oferece a Educação de Jovens e Adultos (EJA). Em 2025, os Exames Estaduais da EJA, aplicados on-line, foram ampliados para as escolas regulares da rede pública. Segundo a coordenadora pedagógica da EJA na Seed-PR, Miriam Teixeira de Oliveira, isso permitiu que alunos em distorção idade-série demonstrassem o que aprenderam e, com a aprovação, concluíssem o Ensino Fundamental ou o Médio. Ela cita ainda o Encceja, que certifica os dois níveis, e a volta da possibilidade de obter o certificado do Ensino Médio pelo Enem, a partir da edição de 2025. Cada exame tem critérios próprios de participação e desempenho.
Contramão do país
Enquanto as matrículas totais da EJA no Brasil caíram cerca de 13% entre 2023 e 2025, de 2.589.815 para 2.252.069 (aproximadamente 338 mil vagas a menos, segundo o Censo Escolar do Inep), o Paraná registrou crescimento. No Estado, as matrículas passaram de 10.963 em 2023 para 40.691 em 2024 e chegaram a 47.014 em 2025, um aumento de cerca de 329% e mais de 36 mil matrículas adicionais. A Seed-PR avalia que a queda da procura pela EJA no país pode estar ligada à redução do atraso e do abandono, já que mais estudantes concluem os estudos na idade esperada, e que a maior escolarização das novas gerações também deve pesar na demanda futura.
Lucas Oruam com inf. AEN/Seed-PR






