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Juros em jogo: Copom decide nesta quarta se mantém a Selic em 13,75%

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central conclui nesta quarta-feira (4) a penúltima reunião do ano e define se a taxa Selic, os juros básicos da economia, continua em 13,75% ao ano ou cai para 13,5%. A decisão deve ser divulgada após as 18h30, no site do Banco Central. Um corte seria o sexto, seguido de cinco reduções de 0,25 ponto percentual desde março. A taxa havia ficado em 15%, o maior nível em quase 20 anos, entre junho de 2025 e março deste ano.

As apostas estão divididas. O boletim Focus, pesquisa semanal do BC com instituições financeiras, apontava corte para 13,5%, mas outros levantamentos indicam uma pausa. Em consulta da Bloomberg com 29 economistas, 24 esperam manutenção da taxa e 5 preveem novo corte de 0,25 ponto. Nas opções de Copom negociadas na B3, a manutenção em 13,75% tinha 72,5% de probabilidade na sexta-feira (30), contra 26% para um corte. Segundo um levantamento do mercado, a mudança de humor veio depois do segundo turno das eleições: antes do resultado, cerca de 80% apostavam em corte, e agora a maioria aposta em manutenção, em meio à incerteza fiscal.

Dólar e inflação no radar

O cenário que pesa sobre a decisão combina câmbio pressionado e inflação acima do teto da meta. A prévia da inflação em 12 meses subiu de 4,5% para 4,62%, acima do teto da meta, que é de 3% com tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo. Em outubro, o IPCA-15 ficou em 0,32%, metade do índice do mês anterior. Já a projeção do Focus para o IPCA de 2026 subiu de 5,19% para 5,22%, por causa do conflito no Oriente Médio e da alta do dólar. Petróleo, gastos públicos e o fenômeno El Niño, que deve pressionar os preços dos alimentos nos próximos meses, completam o quadro.

O comitê também chega à reunião desfalcado. Os mandatos dos diretores de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, e de Política Econômica, Diego Guillen, terminaram no fim de 2025, e o presidente Lula ainda não enviou ao Congresso os nomes dos substitutos. Além da taxa, investidores vão acompanhar o comunicado do Copom em busca de pistas sobre os próximos passos. Na reunião de setembro, o comitê reduziu a Selic de 14% para 13,75% e reforçou a cautela com os riscos.

O que muda no bolso

A Selic é a referência para as demais taxas da economia e o principal instrumento do BC para conter a inflação. Quando ela sobe ou se mantém alta, o crédito fica mais caro e a poupança é incentivada. Quando cai, a tendência é de crédito mais barato e mais estímulo à produção e ao consumo, embora os bancos também levem em conta o risco de inadimplência e os custos ao definir os juros cobrados do consumidor.






Lucas Oruam/FE com inf. Agência Brasil, Bloomberg e Banco Central

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